Dólar registra leve alta e retorna a R$ 5,15 com foco na inflação dos EUA

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Dólar fecha em leve alta e vence R$ 5,15 com cautela eleitoral (Foto: Instagram)

O dólar valorizou-se levemente frente ao real nesta quarta-feira (26), acompanhando o fortalecimento da moeda norte-americana no exterior e o avanço nos rendimentos dos Treasuries, após dados de inflação dos Estados Unidos em julho ficarem acima das expectativas. Em sintonia com as últimas três sessões, as oscilações foram contidas. Desde o início de agosto, o realinhamento dos prêmios de risco em função da proximidade da eleição presidencial tem mantido investidores mais cautelosos.

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Mesmo com a expectativa de um corte de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic em meados de setembro — reforçada pela deflação de 0,40% do IPCA-15 em agosto, na ponta das projeções do Broadcast — a taxa básica deverá permanecer em patamares elevados. Esse cenário reduz incentivos para posições mais agressivas contra o real, segundo operadores, enquanto a liquidez relativamente estável também limita movimentos bruscos.

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Durante o dia, o dólar à vista oscilou entre mínima de R$ 5,1405 e máxima de R$ 5,1655, fechando em R$ 5,1518, alta de 0,22%. No acumulado da semana, registrou ganho de 0,13%, enquanto em agosto avançou 1,61% após recuar 1,79% em julho. No ano, a moeda americana apresenta perdas de 6,14% frente ao real.

Ricardo Chiumento, head da Tesouraria do BS2, afirma que o patamar atual do câmbio já incorpora a perspectiva de uma disputa apertada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL). “É muito difícil prever o comportamento do dólar nas próximas semanas, pois entraremos em uma fase mais agitada da corrida eleitoral. Mas não enxergo uma trajetória de alta sem freio, apesar do risco fiscal elevado”, diz.

Ronaldo Patah, estrategista-chefe de investimentos do UBS Wealth Management no Brasil, destaca que o real continua a se beneficiar, no curto prazo, de juros internos elevados e volatilidade contida, mas está exposto às incertezas políticas. “A volatilidade deve aumentar à medida que a campanha eleitoral se intensificar e as pesquisas ganharem peso na formação de preços”, alerta, ressaltando riscos fiscais crescentes nos próximos 12 meses.

O índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis moedas fortes, ultrapassou os 99.000 pontos com pico em 99.231, acumulando alta de 0,30% na semana e queda de cerca de 0,65% em agosto. Enquanto isso, o petróleo operou em leve baixa, mesmo sem confirmação de um suposto acordo de cessar-fogo entre EUA e Irã.

Quanto ao indicador de inflação preferido pelo Fed, o PCE (preços de gastos de consumo), o dado mensal e anual veio pouco acima das expectativas. Agora, o mercado volta os olhos ao Simpósio de Jackson Hole, com destaque para o discurso do presidente do Fed, Kevin Warsh, nesta sexta-feira (28). James Knightley, economista-chefe internacional do ING, avalia que, mantido o ritmo atual, a inflação anual americana tende a convergir para 2% ao longo do tempo. “A questão é o quão paciente o Fed realmente é. Os mercados precificam alta de 0,25 ponto, mas muitos economistas defendem uma pausa prolongada”, aponta.