
Compras de blusinhas importadas em alta numa loja online acessada por tablet (Foto: Instagram)
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta quarta-feira uma nota técnica indicando que a extinção da chamada “taxa das blusinhas” pode colocar em risco 109 mil postos de trabalho e reduzir em cerca de R$ 21,8 bilhões a produção interna em 2026. O documento calcula os impactos da eliminação do Imposto de Importação sobre encomendas de até US$ 50, atualmente tributadas pelo Programa Remessa Conforme (PRC).
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O estudo da CNI analisou o aumento no volume e no valor das compras internacionais de pequeno valor caso a medida provisória 1.357/2026 seja aprovada. Marcio Guerra, Superintendente de Economia da CNI, afirma que “com o imposto em vigor, parte do consumo dedicado ao PRC seria deslocada para bens e serviços fabricados no Brasil, reduzindo a assimetria tributária entre produtos nacionais e importados”.
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Segundo Guerra, os números evidenciam o potencial nocivo da aprovação da MP 1.357/2026, que acaba com o tributo sobre envios de até US$ 50. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se nesta quarta com Davi Alcolumbre (Senado) e Hugo Motta (Câmara) para destravar a pauta do Congresso, incluindo a votação dessa proposta.
O economista ressalta que “zerar o imposto em produtos de até US$ 50 cria um tratamento tributário diferenciado para as importações, prejudica o mercado interno, fere a isonomia, a livre concorrência e desrespeita o preceito constitucional de proteger a indústria nacional”. Para ele, restabelecer a cobrança é crucial para recuperar a competitividade da indústria.
Na projeção da CNI, o número de encomendas pelo PRC deve chegar a 249,5 milhões em 2026, alta de 56,3% sobre 2025. Em valor, essas aquisições somariam R$ 23,6 bilhões, um aumento de 65,7% em relação ao ano anterior, cenário que seria amenizado se o imposto fosse mantido.
O relatório também aponta que, para cada real importado via PRC, deixam de ser gerados R$ 3,11 nas cadeias produtivas nacionais, com impacto concentrado na indústria de transformação. “Como eletrônicos, vestuário e bens de consumo disputam diretamente com produtos fabricados no Brasil, dois terços dessa perda recaem sobre esse setor”, conclui a CNI.








