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SBP alerta sobre riscos do uso indevido de canetas de GLP-1 em crianças e adolescentes


Canetas injetoras de GLP-1: alerta da SBP sobre riscos em crianças e adolescentes (Foto: Instagram)

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou na segunda-feira (24) um alerta sobre o emprego inadequado de canetas injetoras de GLP-1 no combate à obesidade em crianças e adolescentes. A entidade destaca que a utilização desses medicamentos sem indicação clínica precisa e sem acompanhamento de especialistas pode trazer sérios prejuízos à saúde dos jovens.

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A SBP adverte que o uso fora de recomendação formal eleva tanto a frequência quanto a intensidade de eventos adversos. Entre as complicações potenciais estão déficit de crescimento e desenvolvimento, desidratação, distúrbios eletrolíticos, perda de massa muscular, pancreatite aguda e alterações na vesícula biliar.

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A SBP alerta ainda para a prática de usar essas canetas com fins estritamente estéticos, pois isso pode desencadear transtornos alimentares, como anorexia e bulimia, além de quadros de ansiedade e depressão relacionados à imagem corporal. Quando há indicação legítima — em casos de obesidade ou diabetes tipo 2 — a prescrição deve ser individualizada, considerando a gravidade da condição, a existência de comorbidades, histórico de respostas a tratamentos anteriores, possíveis riscos e a capacidade de seguir o acompanhamento médico.

“Esses medicamentos não podem ser utilizados simplesmente para modificar a aparência corporal, nem para atender padrões estéticos do ‘corpo ideal’ impostos pela sociedade. Também não devem ser usados para perda rápida de peso antes de festas, viagens ou competições, nem para compensar erro alimentar ou sedentarismo”, enfatiza Crésio Alves, presidente do Departamento Científico de Endocrinologia da SBP. A entidade também contraindica o uso de produtos sem procedência comprovada ou sem registro na Anvisa, como fórmulas clandestinas, manipuladas ou importadas irregularmente.

Até agosto de 2026, três fármacos da classe das incretinas receberam aprovação da Anvisa para uso pediátrico: liraglutida, semaglutida e tirzepatida, todos aplicados por via subcutânea. A liraglutida está indicada para diabetes tipo 2 a partir dos 10 anos e para obesidade a partir dos 12 anos, com peso corporal superior a 60 kg. A semaglutida tem registro para obesidade em pacientes a partir dos 12 anos e mais de 60 kg. Já a tirzepatida pode ser empregada no diabetes tipo 2 desde os 10 anos, isolada em casos de intolerância ou contraindicação à metformina ou em combinação quando este fármaco não for suficiente para controlar a glicemia.

Esses medicamentos agem reduzindo o apetite, retardando o esvaziamento gástrico e promovendo efeitos metabólicos, como a liberação de insulina após a alimentação. Os efeitos adversos mais frequentes são de ordem gastrointestinal, principalmente durante o escalonamento da dose, incluindo náuseas, vômitos, refluxo, azia, diarreia e constipação. Há também risco de perda de massa magra e complicações graves, como pancreatite, hipoglicemia e colelitíase. De acordo com a SBP, as evidências disponíveis apontam eficácia e segurança nesses fármacos em adolescentes, desde que usados dentro dos critérios estudados e associados a mudanças no estilo de vida; o alerta visa coibir a utilização indiscriminada, não o tratamento devidamente indicado.

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