Autoridade iraniana diz que apoiar novas sanções dos EUA ao Irã seria ‘ato de guerra’

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Outdoor em Teerã mostra Donald Trump estrangulado e a frase ‘Revenge is inevitable’. (Foto: Instagram)

Mohsen Rezaei, novo chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, declarou neste domingo (23) que Teerã consideraria “ato de guerra” qualquer apoio de outras nações às novas sanções econômicas anunciadas pelos Estados Unidos contra o país. A declaração foi divulgada pela mídia estatal e ocorre pouco antes do anúncio programado para segunda-feira (17) pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, de um conjunto de medidas punitivas que Washington promete que serão de intensidade “sem precedentes”, aprofundando um isolamento econômico que tem perdurado por décadas.

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Em entrevista à televisão estatal transmitida na noite de sábado (22), Rezaei intensificou o tom das ameaças e afirmou: “Se Trump quiser fazer alguma coisa, responderemos com força sísmica”. Segundo ele, o Irã não hesitará em atacar outras rotas de transporte de petróleo que contornem o Estreito de Ormuz, adotando medidas para pressionar a circulação de navios que busquem alternativas ao canal estratégico do Golfo Pérsico.

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Mais cedo no domingo (23), o presidente Masoud Pezeshkian saiu em defesa do memorando de entendimento firmado com os Estados Unidos em meados de junho. Em discurso transmitido pela agência IRNA, ele assegurou que não há “nenhuma cláusula neste acordo que represente uma capitulação” e ressaltou que o Aiatolá, líder supremo do país, define as diretrizes políticas que serão rigorosamente seguidas pelas autoridades.

Pezeshkian também lamentou que Teerã não tenha atraído o volume de investimentos pretendido quase seis meses após o início do conflito diplomático com Washington. Ele recordou que o acordo provisório previa um período de 60 dias para negociações com o objetivo de encerrar o impasse e firmar um entendimento sobre o programa nuclear iraniano, mas que esse prazo venceu na semana passada sem sinais de compromisso ou extensão.

No Estreito de Ormuz, uma coalizão multinacional monitorada pela Marinha dos Estados Unidos informou que não foram registrados ataques confirmados nas últimas 48 horas, embora o tráfego marítimo continue em níveis abaixo do habitual. Segundo os militares norte-americanos, o bloqueio a portos iranianos forçou o desvio de 70 embarcações comerciais e bloqueou a atracação de outras três até domingo (23).

A Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, órgão criado recentemente pelo Irã e sancionado pelos EUA, divulgou uma lista com dezenas de navios que, conforme o governo iraniano, desrespeitaram acordos de trânsito na região. Essas embarcações poderão ser alvo de penalidades futuras, incluindo multas e possíveis detenções ou apreensões.

De acordo com documento oficial, o Estreito de Ormuz era antes uma rota marítima internacional vital até os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro. O texto ainda menciona que Teerã e Omã estão negociando a gestão conjunta da passagem, o que deverá incluir a cobrança de pedágios para os navios que transitarem pela área.

Também para segunda-feira (17) está marcada a visita do chefe do Exército do Paquistão, marechal de campo Asim Munir, a Teerã. Ele liderará uma delegação oficial, conforme informou à televisão estatal o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei. Segundo dois funcionários regionais, a missão integra esforços de Islamabad para diminuir as tensões entre EUA e Irã e incentivar ambas as partes a retomar as negociações.