
Pôr do sol na Foz do Amazonas, cenário da nova descoberta de petróleo pela Petrobras (Foto: Instagram)
A Petrobras descobriu indícios de óleo no primeiro poço perfurado em Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, parte da Margem Equatorial, apontando para uma produção que deve levar de seis a sete anos até ganhar escala. Se confirmado o potencial, os reservatórios poderão sustentar pelo menos mais 40 anos de extração, segundo Wagner Victer, gerente executivo de Projetos Estruturantes da companhia.
++ Sistema de IA revela como pessoas comuns estão criando novas fontes de renda online
Sylvia Anjos, diretora de Exploração e Produção da Petrobras, informou que amostras do óleo serão enviadas ao Centro de Pesquisa da Petrobras (Cenpes) para avaliar qualidade e produtividade do poço. A estatal prevê, no seu plano de negócios 2026–2030, investir US$ 2,5 bilhões na região e perfurar 15 novos poços, preparando-se para repor reservas quando a produção do pré-sal alcançar o pico.
++ Madeleine McCann, desaparecida em 2007, aparece mencionada nos arquivos do caso Epstein
Os próximos passos da Petrobras dependem da aprovação de licenças ambientais pelo Ibama para perfurar outros três poços. No caso de Morpho, a estatal esperou mais de 12 anos até receber autorização, com a última fase de liberação ocorrendo em outubro de 2025, após forte pressão da atual gestão. A BP, que detinha 70% do ativo até 2021, desistiu e vendeu sua participação à Petrobras.
O professor Edmar Almeida, do Instituto de Energia da PUC-Rio, enfatizou a urgência de acelerar o licenciamento para não atrasar a expansão: “Se formos adiante, estaremos falando de escalas muito maiores de atividade exploratória. Precisamos superar os entraves ambientais, pois não se trata mais de um poço, mas de diversos, como na Guiana, que já soma mais de cem.” Ele destacou ainda que, após a comprovação de reservas, haverá várias declarações de comercialidade.
Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, também criticou a lentidão: “Não há dados concretos da Petrobras ainda, mas é uma boa notícia que reforça a importância de o Ibama dar celeridade às licenças.” Para o analista Ilan Arbetman, da Ativa Investimentos, a descoberta é promissora, mas permanece como “opcionalidade exploratória”, sem efeito imediato sobre as ações e sem comprovação de viabilidade econômica ou produtividade compatível.
Rivaldo Moreira Neto, sócio-diretor da A&M Infra, avalia que o anúncio estimulará leilões e atração de investidores privados para a Margem Equatorial, embora ressalte os riscos típicos de áreas ultraprofundas. Já o ex-diretor da ANP e professor David Zylbersztajn afirma que, se a região se consolidar como nova província petrolífera, poderá alterar a geopolítica nacional, impulsionando o desenvolvimento econômico e social do Norte.








