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PF identifica Lulinha como beneficiário indireto de articulações no governo


Homem de camisa listrada vermelha observado de perfil durante evento noturno. (Foto: Instagram)

Documentos da Polícia Federal apontam que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, atuou de forma ativa em um suposto esquema de tráfico de influência no governo, mas era resguardado pela lobista Roberta Luchsinger. Mensagens obtidas pela PF mostram Roberta afirmando que “Fábio não faz nada. Ele só entra em campo quando precisa. Tem que se preservar”. O material integra a apuração divulgada pela revista Veja nesta quinta-feira, 20.

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No relatório da PF, Fábio Luís é descrito como “beneficiário indireto” das negociações intermediadas por terceiros em seu nome. As comunicações extraídas do celular de Roberta indicam que ela referenciava Lulinha como instância decisória em projetos diversos, mesmo sem envolvimento direto nas tratativas com empresários interessados em contratos do governo federal. O documento integra detalhes revelados pela edição desta quinta-feira da revista Veja.

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Apesar das menções no inquérito, não há evidências de que Lulinha e Roberta tenham efetivamente fechado negócios com órgãos do Executivo. A defesa de Fábio Luís, liderada pelo advogado Marco Aurélio de Carvalho, sustenta que ele é alvo de investigação desde 2017 sem qualquer comprovação de irregularidade e critica vazamentos recorrentes de informações sigilosas. Carvalho classifica como injustificável a exposição midiática do cliente.

Um dos episódios detalhados pela PF envolve a tentativa de influenciar o Ministério da Saúde para adquirir um produto de canabidiol, cujo beneficiário apontado seria Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. Em conversas, Roberta chega a dizer que “eu sou o Fábio” ao se referir à atuação conjunta com Lulinha. Ela também explica que “trabalha a política via Palácio” e se orgulha de seu “talento em costura política”.

Para avançar na pauta do canabidiol, Roberta conseguiu marcar uma reunião entre o então secretário-executivo da Saúde, Swedenberger Barbosa (o “Berge”), e o grupo. De acordo com as mensagens, a ligação direta partiu de Lulinha: “Pousei. Vou lá no Berge”, escreveu Roberta em março de 2024. Ele respondeu de forma descontraída sobre mandar “beijo pro Berge” e reforçou a importância do apoio do secretário.

O relatório também menciona a atuação de Lulinha e Roberta na Telebras, onde reclamavam do uso indevido do nome dele por Kalil Bittar, irmão de Fernando, para obter contratos facilitados. “Kalil vendendo você e a grande influência dele para o presidente da Telebras. Quase fechando um negócio gigante”, alertou a lobista. O Ministério Público Federal pediu ao ministro André Mendonça, relator dos inquéritos no STF, que envie o caso a outra instância, alegando falta de autoridade investigada.

Em diálogos mostrados pela revista, Roberta aparece assumindo custos de despesas pessoais de Lulinha, como uma viagem à África estimada em US$ 20 mil por pessoa. Há ainda menção a um novo empreendimento não detalhado e à oferta de cargo no governo feita pelo presidente Lula, recusada por ela. Roberta resumiu a parceria: “Fefe, Fábio e eu somos uma coisa só. Se um vai, todos vamos. Às vezes, a melhor posição é a nossa sociedade.”

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