Países europeus e Canadá criticam planos de assentamentos de Israel na Cisjordânia

Posted by

–


Bandeira israelense tremula sobre assentamento na Cisjordânia (Foto: Instagram)

Em 21 de fevereiro, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Canadá publicaram uma declaração conjunta classificando como "inaceitáveis" os planos do governo de Israel de abrir licitações para a construção de cerca de 1.200 novas moradias em assentamentos na Cisjordânia. No comunicado, os cinco países pedem que Jerusalém recue imediatamente, ressaltando que essa medida contraria resoluções internacionais e mina a credibilidade de Israel diante de seus parceiros diplomáticos. A iniciativa abrange áreas sob administração militar israelense desde 1967 e tem gerado ampla repercussão.

++ Sistema de IA revela como pessoas comuns estão criando novas fontes de renda online

O texto assinala que a proposta ocorre num momento de grave instabilidade na Cisjordânia, marcada por níveis sem precedentes de violência de colonos contra civis palestinos, incluindo ataques a aldeias e pontos de passagem. Além disso, destaca as sérias restrições impostas ao desenvolvimento econômico da população local, com bloqueios de estradas, demolições de propriedades e limitações de movimento que agravam a situação humanitária. Para os signatários, essas ações tornam ainda mais preocupante a expansão dos assentamentos.

++ Madeleine McCann, desaparecida em 2007, aparece mencionada nos arquivos do caso Epstein

Os países também argumentam que a decisão de avançar com novos blocos residenciais "não apenas afastará ainda mais a região da paz, como também prejudica a posição internacional de Israel". No comunicado, ressaltam que medidas unilaterais desse tipo minam os esforços de mediação em curso e inviabilizam futuras negociações vinculadas à criação de um Estado palestino, conforme previsto pela solução de dois Estados apoiada por grande parte da comunidade global. Aumenta-se, assim, o risco de novos surtos de violência.

Desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967, Israel estabeleceu cerca de 160 assentamentos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, que abrigam atualmente aproximadamente 700 mil judeus. Essas construções são consideradas ilegais pela maior parte da comunidade internacional, incluindo as Nações Unidas e o Tribunal Internacional de Justiça, por violarem o direito ao território ocupado. O crescimento contínuo dos blocos israelenses contribui para a fragmentação geográfica de comunidades palestinas e dificulta a viabilidade territorial de um futuro Estado palestino.

Os palestinos reivindicam esses territórios, junto com a Faixa de Gaza, como base para a constituição de um Estado independente. Estima-se que cerca de 3,3 milhões de palestinos residam hoje na Cisjordânia, convivendo com restrições severas de circulação e com o aumento da pressão demográfica e econômica. Organizações de direitos humanos apontam que a ampliação dos assentamentos favorece o controle militar e dificulta ainda mais o acesso a recursos básicos, como água e saúde, aprofundando as desigualdades existentes.

A controvérsia sobre os novos planos de assentamento ocorre em meio a negociações discretas entre mediadores internacionais e autoridades israelenses e palestinas, que buscam retomar o diálogo estagnado há anos. A União Europeia já sinalizou a possibilidade de adotar sanções contra indivíduos e empresas envolvidos na expansão dos assentamentos, enquanto os Estados Unidos mantêm uma postura mais cautelosa. Analistas alertam que a escalada das tensões pode comprometer a estabilidade em toda a região, elevando o risco de confrontos diretos.