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Pesquisador de Oxford afirma que impacto da IA em eleições pode estar sendo exagerado


Aplicativos de IA como ChatGPT, Claude e Gemini exibidos em tela de smartphone. (Foto: Instagram)

O pesquisador Felix Simon, da Universidade de Oxford, considera que o temor em torno do poder da inteligência artificial nas eleições está longe de corresponder ao impacto real. Segundo ele, apesar dos avanços em ferramentas capazes de produzir conteúdos convincentes, fatores humanos e políticos tradicionais continuam a pesar muito mais na decisão dos eleitores do que a proliferação de deepfakes ou áudios sintéticos. Para Simon, o alarde mediático surpreende por não levar em conta as limitações de alcance e engajamento desse tipo de conteúdo.

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A intersecção entre inteligência artificial generativa e processos eleitorais tem mobilizado autoridades, acadêmicos e profissionais de tecnologia ao redor do mundo. O receio de que robôs e algoritmos possam manipular o comportamento de massa alimenta debates sobre a fragilidade das democracias. No entanto, de acordo com Simon, membro do Instituto Reuters de Jornalismo e do Instituto de Internet de Oxford, grande parte dessas preocupações repousa em cenários hipotéticos que ainda não se concretizaram em maior escala.

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Em entrevista ao BBC News Brasil, Simon frisou que o principal desafio de qualquer campanha de influência — independente de usar IA ou métodos tradicionais — é atrair e manter a atenção do público. Ele lembra que, de um dia com 24 horas, descontadas as 8 horas de sono e as horas dedicadas a trabalho e obrigações, restam apenas cerca de 4 horas para lazer e consumo de conteúdo online. Nesse curto espaço de tempo, destacar-se em meio a milhares de mensagens políticas é tarefa árdua, mesmo com tecnologias avançadas.

Além disso, a maioria dos materiais publicados em redes sociais tende a reforçar convicções já existentes, o que limita o poder de persuasão de ferramentas baseadas em IA. “Para que a desinformação seja efetiva, é preciso que haja uma demanda por ela — e esse cenário não se verifica de forma ampla”, ressaltou Simon. Ele acrescentou que a internet está saturada de boatos e teorias conspiratórias, de modo que novos conteúdos falsos não ampliam necessariamente seu impacto.

Um estudo coordenado por Simon junto ao psicólogo Sacha Altay, da Universidade de Zurique, analisou eleições realizadas entre 2023 e 2024 em diferentes países. Embora tenha havido aumento no uso de aplicativos generativos, os resultados eleitorais continuaram a ser definidos por fatores econômicos, culturais, partidários e pela atuação de figuras políticas tradicionais. “A influência da IA foi em grande parte ofuscada pela disposição de alguns atores em promover mentiras de forma convencional”, afirmam os pesquisadores.

Simon ainda observa que, na prática, todos os partidos e candidatos têm acesso às mesmas ferramentas de IA, criando uma espécie de “corrida armamentista” em que o equilíbrio de poder se ajusta rapidamente. Para muitos eleitores, a credibilidade da fonte pode importar mais do que o grau de sofisticação do conteúdo. Embora sistemas baseados em IA sejam capazes de gerar argumentos coerentes e informativos, seu uso disseminado pode levar ao aumento da desconfiança em instituições e veículos de comunicação.

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