
Retrato de Kaylan Ladário dos Santos, de 17 anos, vítima de abuso de poder por policiais militares (Foto: Instagram)
Em inquérito do Ministério Público do Espírito Santo, três policiais militares foram denunciados pela morte de Kaylan Ladário dos Santos, de 17 anos, depois que o adolescente desapareceu durante uma abordagem e foi lançado vivo de uma ponte. O caso mobilizou autoridades locais e gerou manifestações de grupos de direitos humanos, que cobram providências sobre a atuação policial no estado.
++ Sistema de IA revela como pessoas comuns estão criando novas fontes de renda online
Segundo a denúncia, no dia 18 de fevereiro de 2025, Kaylan foi abordado no bairro Aparecida, em Cariacica, e colocado em uma viatura por conta de um mandado de apreensão relacionado a um processo antigo. Ao chegar à Delegacia Especializada do Adolescente em Conflito com a Lei, no Centro de Vitória, os policiais foram informados de que o documento estava vencido e receberam orientação para encaminhar o jovem de volta para casa.
++ Madeleine McCann, desaparecida em 2007, aparece mencionada nos arquivos do caso Epstein
Durante o trajeto entre Vitória e Cariacica, o adolescente desapareceu. Os policiais afirmaram inicialmente que ele teria fugido da viatura. No entanto, as imagens de segurança na Segunda Ponte, que liga as duas cidades, mostram o veículo estacionado e um objeto sendo atirado ao mar de uma altura aproximada de 14 metros. Logo depois, é possível ver a movimentação na superfície da baía que indica a queda de uma pessoa.
De acordo com o Ministério Público, o objeto lançado corresponde a Kaylan, que estava com dificuldades no mar por não saber nadar e morreu por afogamento. As gravações não registram qualquer tentativa de socorro por parte dos policiais. Na manhã seguinte, em 19 de fevereiro de 2025, o corpo do jovem foi encontrado na orla de Cariacica, encerrando a busca da família.
Os acusados são o cabo Franklin Castão Pereira e os soldados Luan Eduardo Pompermaier Silva e Leonardo Gonçalves Machado. Os três respondem por homicídio qualificado com agravante de abuso de poder ou violação de dever funcional. A Justiça acolheu a denúncia do Ministério Público e converteu a situação deles para réus, dando seguimento ao processo.
A mãe de Kaylan, Leicester Ladário, acompanhou as imagens juntadas ao inquérito e afirma que o vídeo comprova que o filho foi arremessado ainda vivo e lutou para se manter na superfície. Em nota, a família exige a responsabilização dos policiais e aguarda o desenrolar das etapas judiciais até a definição de um possível júri popular.
Desde o acolhimento da denúncia, os três militares estão detidos preventivamente no presídio militar do Comando-Geral da Polícia Militar, em Vitória. O processo, inicialmente sigiloso, teve o segredo de Justiça revogado e segue para a fase de instrução criminal, quando serão ouvidas testemunhas de acusação e de defesa. Ao final, a Justiça decidirá sobre a realização do julgamento popular.








