Pesquisa revela como o linfoma ‘desativa’ células de defesa do organismo

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Linfoma revela mecanismo de inibição das células de defesa (Foto: Instagram)

Uma nova pesquisa inédita demonstrou o mecanismo pelo qual o linfoma inibe a ação das células de defesa do corpo, o que ajuda a explicar a rápida progressão dessa doença. Os pesquisadores identificaram como o tumor impede o amadurecimento adequado das células imunológicas, abrindo caminho para estratégias terapêuticas inéditas destinadas a restaurar essa função perdida.

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O linfoma afeta o sistema linfático, responsável pela geração dos leucócitos, que são essenciais para a proteção do organismo. Existem mais de 60 subtipos desta enfermidade, divididos em Hodgkin e não Hodgkin. Dentre as formas não Hodgkin, o linfoma difuso de grandes células B (LDGCB) é especialmente agressivo, representando cerca de 40% dos casos e somando quase 5 mil diagnósticos anuais no Brasil, conforme dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Guilherme Perini, hematologista do Centro de Excelência em Linfomas do Hospital Israelita Einstein, observa que “o LDGCB cresce rápido e tende a migrar para além dos linfonodos”.

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O estudo, publicado em março no Journal of Immunology, foi conduzido por cientistas do Instituto de Pesquisa Josep Carreras, na Espanha. Eles analisaram amostras de células humanas e, em seguida, validaram as descobertas em modelos animais. A equipe descobriu que o linfoma reduz a expressão da proteína HDAC7, fundamental para que as células B atinjam a maturação completa e produzam anticorpos eficazes contra agentes invasores.

Na falta da HDAC7, essas células permanecem em estado imaturo e se multiplicam sem controle, favorecendo o crescimento tumoral. A pesquisa associou níveis reduzidos da proteína a um prognóstico mais sombrio, sugerindo que a inibição desse fator é determinante para a agressividade do LDGCB.

Mar Gusi-Vives, coautora do trabalho, explica que “o linfoma não destrói a HDAC7 diretamente, mas suprime sua expressão, deixando as células incapazes de cumprir sua função de defesa”. Ela compara esse fenômeno a um interruptor genético: “o câncer desativa o mecanismo de expressão, mantendo-o desligado mesmo sem alterar a estrutura do DNA”.

A compreensão desse processo oferece pistas para reverter a condição. Em testes com animais, a reativação da HDAC7 voltou a promover o amadurecimento normal das células B e resultou em queda significativa das células tumorais. Perini ressalta que “restaurar a proteína é capaz de retomar o ciclo de defesa interrompido pelo câncer”.

Apesar dos resultados promissores em modelos experimentais, Gusi-Vives alerta que “não basta inserir a proteína em pacientes como se faz em animais”. O objetivo agora é desenvolver estratégias que impeçam o tumor de reduzir a expressão da HDAC7. A transição dessas descobertas para aplicações clínicas exigirá estudos longos e rigorosos.

Atualmente, o tratamento padrão para o LDGCB envolve quimioterapia e imunoterapia, com taxa de remissão total em cerca de 70% dos casos quando o diagnóstico é precoce. Para pacientes com resposta limitada, terapias celulares como a CAR-T, que emprega células do próprio indivíduo, surgem como promissoras alternativas. Segundo Perini, “a diversificação das abordagens será essencial para enfrentar a complexidade do linfoma no futuro”.