
Fumaça ergue-se sobre Teerã enquanto o Irã condiciona retorno a acordo com os EUA ao comportamento americano (Foto: Instagram)
Na segunda-feira (17), diversas autoridades iranianas reiteraram que o retorno ao memorando de entendimento com os Estados Unidos e o reinício das negociações de paz dependem das atitudes dos americanos, segundo veículos da imprensa local. O regime persa também reforçou que está preparado para responder a eventuais ataques de inimigos, seja de Washington ou de países vizinhos.
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Abbas Bagherpour, diretor-geral jurídico do Ministério das Relações Exteriores, declarou à agência ISNA que a violação do memorando de Islamabad não implica seu colapso, sendo possível sua reativação conforme a postura dos EUA. Ele enfatizou que os americanos devem “abandonar o hábito de violar acordos e o vício em impor sanções unilaterais”. Caso contrário, Teerã está pronto para “qualquer opção” e já demonstrou repetidas vezes sua capacidade de defesa, alertou Bagherpour.
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O diplomata Mohammad Farazmand, também do Ministério de Relações Exteriores, afirmou que qualquer retorno às negociações deve se basear novamente no memorando de Islamabad, e não em acordos posteriores firmados pelos EUA com países do Golfo Pérsico. Segundo ele, logo após a assinatura do documento, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, participou de encontros e emitiu comunicados conjuntos com nações da região que contrariavam o entendimento alcançado com Teerã. “Os países do Golfo foram os primeiros a colocar pedras no caminho de um entendimento islâmico pacífico e, claro, pagaram o preço por isso”, observou o diplomata, citando a tentativa de abrir rotas de navegação no Estreito de Ormuz por Omã como exemplo.
Farazmand defendeu o direito do Irã de usar o Estreito de Ormuz como trunfo geopolítico depois de séculos em que essa rota marítima foi empregada por outras potências — incluindo Portugal, Reino Unido e EUA — contra o regime persa. “É hora de termos um mecanismo regional justo e ordenado”, afirmou o diplomata.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, ressaltou em coletiva que as negociações sobre Ormuz são “complexas e delicadas” e exigem um diálogo prolongado com Omã para garantir a soberania de ambos os países. Baghaei descartou pressões do presidente Donald Trump por prazos para anunciar um acordo: “Não vamos aceitar ser pressionados por um prazo”. Ele reforçou que as forças armadas iranianas estão “prontas para agir”, se necessário.
Já o porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), Sardar Mohebi, negou à agência Tasnim a existência de negociações secretas com Trump sobre temas bélicos, classificando tais boatos como “fantasias” derivadas de ilusões e pesadelos do líder americano. Mohebi afirmou que as discussões diplomáticas cabem a outras instâncias do governo e que a IRGC “expressa sua opinião no campo” de batalha. Ainda segundo ele, Trump tenta controlar temporariamente o preço global do petróleo e da energia, mas só tem um caminho: aceitar a derrota e implementar as condições impostas pelo Irã para evitar maiores danos ao seu país.
