
Joana Purin durante tratamento em hospital após complicações por uso irregular de retatrutida. (Foto: Instagram)
A modelo de São Paulo Joana Purin, de 28 anos, foi internada em estado extremamente grave após aplicar por conta própria 15 mg de retatrutida, substância emagrecedora ainda em fase de testes e sem liberação para venda no país. O caso evidencia o perigo da busca obsessiva pela magreza extrema e o uso ilícito de medicamentos para perda de peso. Segundo o Ministério da Saúde, os transtornos alimentares já afetam cerca de 4,7% da população brasileira, agravando-se diante da facilidade de acesso a fórmulas clandestinas.
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Desde 2021, Joana lidava com distorção da imagem corporal. Naquele ano, enquanto trabalhava no Chile, a modelo chegou a pesar apenas 38 kg. Em 2025, após passar por eventos pessoais traumáticos e ter seu quadro depressivo intensificado, ela voltou a perder peso de forma acelerada. Sem acompanhamento profissional, começou a recorrer a canetas emagrecedoras adquiridas de forma irregular, numa tentativa de controlar o corpo que considera imperfeito.
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A última aplicação foi decisiva para seu estado crítico. Joana injetou de uma vez 15 mg de retatrutida – medicamento em desenvolvimento pela farmacêutica Eli Lilly, com potência superior ao princípio ativo do Mounjaro – em uma versão fabricada clandestinamente. A superdose desencadeou uma hipoglicemia severa, resultando em internação de 20 dias, em julho. Durante o período no hospital, ela precisou de alimentação por sonda e de um cateter intravenoso, o que acabou gerando uma trombose no braço. Os médicos diagnosticaram anorexia nervosa, desnutrição profunda e depressão.
A psiquiatra Mireille Almeida, coordenadora do Ambulatório de Transtornos Alimentares da Santa Casa de São Paulo, alerta que quadros com risco de morte, recusa alimentar ou intercorrências fisiológicas graves exigem internação imediata. Para a especialista, a hospitalização oferece condições de monitoramento constante, reposição nutricional controlada e tratamento medicamentoso adequado, fundamentais na reversão do quadro e na prevenção de complicações irreversíveis.
Em processo de recuperação, Joana Purin vem registrando sua rotina de tratamento nas redes sociais, transformando sua experiência em um alerta para outras pessoas. Segundo a modelo, muitas mães de adolescentes de 12 e 13 anos têm entrado em contato para comparar sintomas, reconhecendo sinais semelhantes nos comportamentos das filhas. “As mensagens de apoio e conscientização têm sido fundamentais para mostrar que o uso de substâncias sem orientação médica pode ter consequências graves”, destacou Joana.
O episódio de Joana reforça preocupações de especialistas quanto ao mercado paralelo de medicamentos para emagrecimento, que circulam pela internet sem qualquer controle de qualidade. Profissionais de saúde destacam a importância de campanhas de prevenção e da ampliação de atendimento psicológico e nutricional nos serviços públicos, a fim de combater a disseminação desses produtos e oferecer suporte a quem apresenta comportamento de risco.
