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Rede extremista planejava ataques em Brasília com instituições públicas na mira


Plano de ataque a Brasília: extremistas visavam o Palácio do Planalto (Foto: Instagram)

Uma investigação da Polícia Civil do Distrito Federal desvendou uma rede extremista que articulava ataques violentos contra autoridades e prédios públicos em Brasília. Os integrantes, muitos dos quais nunca se encontraram pessoalmente, utilizavam grupos fechados na internet para divulgar discursos de ódio e estruturar possíveis ações criminosas. A análise das conversas apontou para planos coordenados, indo além de mera propaganda ideológica.

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As trocas de mensagens, acompanhadas pelas equipes investigativas e reveladas pelo Fantástico, mostraram que o grupo não se limitava à incitação ao ódio. Eles debat iam cenários de atentados, prazos e funções de cada participante. A rede era dividida em camadas: um grupo maior, com cerca de 600 membros, e um núcleo restrito de 46 pessoas, onde as discussões se tornavam mais detalhadas e perigosas.

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Os diálogos identificados continham referências claras ao neonazismo, à misoginia e ao incentivo ao uso de armas. Parte do material reunido pelos investigadores incluía plantas e fotografias de fachadas do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal, demonstrando um nível de planejamento que excedia a simples retórica extremista.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, afirmou que as conversas eram “risco concreto” e não poderiam ser consideradas manifestações inocentes de opinião. Segundo ele, os relatos mostravam a preparação de atentados reais, com cronogramas e detalhamento de ações que, se levadas adiante, colocariam em xeque a segurança de Brasília.

O Ministério da Justiça descreveu um processo de radicalização dentro desses ambientes virtuais. Usuários do grupo maior que demonstravam disposição para atos violentos eram direcionados a espaços mais restritos, onde as ideias mais extremadas eram reforçadas. Um relatório do Ciberlab, laboratório de crimes cibernéticos, confirmou que as mensagens traziam elementos de incitação ao crime e doutrinação extremista.

Durante as investigações, os agentes descobriram que alguns participantes chegaram a discutir formas de invadir determinados prédios, detalhando rotas de acesso e pontos vulneráveis. Essas informações foram fundamentais para a deflagração da operação policial, que cumpriu mandados de busca e apreensão em oito cidades de cinco estados na última terça-feira (4).

Foram apreendidos computadores, celulares e documentos que agora passam por perícia para mapear o tamanho da rede, o grau de envolvimento de cada integrante e verificar se havia uma fase prática de execução dos ataques. Os suspeitos poderão responder por associa ção criminosa, apologia ao nazismo e incitação à violência.

Desde o início de 2026, o Ciberlab produziu mais de cem relatórios sobre grupos extremistas e de ódio em ambientes digitais. Para os investigadores, o caso reforça a importância de monitorar esses espaços, já que o avanço de debates radicalizados pode se transformar em ameaças reais. A apuração segue em curso, com a análise dos materiais apreendidos e a identificação de outros possíveis envolvidos.

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