
Erupções cutâneas de paciente com sarampo em São Paulo (Foto: Instagram)
O Estado de São Paulo contabilizou 23 casos confirmados de sarampo até o momento, levando autoridades de saúde e infectologistas a alertarem sobre a alta transmissibilidade da doença. Considerado uma das infecções mais contagiosas, o vírus pode ser transmitido antes mesmo do aparecimento dos primeiros sinais clínicos, como febre e erupções cutâneas. Essa característica complica o rastreamento de contatos e impede o bloqueio rápido de possíveis surtos, razão pela qual o governo paulista intensificou horários e locais de vacinação na rede pública.
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Especialistas observaram que a maioria dos pacientes diagnosticados não havia recebido as doses recomendadas ou apresentava o esquema vacinal incompleto. Em resposta, o Estado passou a recomendar a imunização, e em alguns casos a revacinação, para toda a população entre 6 meses e 59 anos. Esse reforço inclui bebês a partir dos seis meses, crianças, adolescentes, adultos e idosos que ainda não estejam com o cartão de vacinação atualizado.
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Os novos registros concentram-se na capital paulista, em São Bernardo do Campo e em Guarulhos, cidades que apresentam cobertura vacinal abaixo do ideal. A campanha estadual reforça a aplicação da vacina tríplice viral — que protege contra sarampo, caxumba e rubéola — em todos os postos de saúde, unidades móveis e ações em escolas, buscando atingir quem ainda não tomou nenhuma dose ou necessita de reforço.
Apesar de o Brasil ter recebido em 2024 o certificado de eliminação da circulação endêmica do sarampo, surtos recentes em países vizinhos, como Bolívia, Argentina e Peru, além de focos na América do Norte, elevam o risco de reintrodução do vírus. O intenso fluxo de viajantes entre essas nações e o território brasileiro, aliado a índices vacinais abaixo dos 95% recomendados, cria um cenário propício para novos casos.
O infectologista Renato Kfouri destaca que “o sarampo é extremamente contagioso: o indivíduo, ao tossir, espirrar ou falar, descarrega partículas virais que podem permanecer suspensas por horas. Mesmo após a saída do infectado, outras pessoas podem contrair a doença sem contato próximo. Além disso, como a transmissão ocorre antes dos sintomas, um único caso pode gerar de 16 a 18 novas infecções entre não vacinados.”
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, a primeira dose da tríplice viral alcançou 77,5% do público-alvo, enquanto a segunda atingiu apenas 65,5%, índices abaixo da meta de 95% estabelecida pelo Ministério da Saúde. Para reverter esse quadro, o governo ampliou a oferta de vacinas em horários estendidos, unidades itinerantes e parcerias com escolas e empresas, buscando fortalecer a imunização coletiva e conter a circulação do vírus.








