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Wagner Moura explica por que não retorna às novelas quase 20 anos depois


Wagner Moura em evento cultural recente (Foto: Instagram)

Wagner Moura, um dos atores mais aclamados do país, explicou por que decidiu não retornar às telenovelas, quase vinte anos após sua última aparição no formato que o projetou nacionalmente. Em entrevista ao Conversa com Bial, programa apresentado por Pedro Bial e exibido pela TV Globo, o artista apontou que o principal obstáculo é a extensa jornada de trabalho exigida por essas produções, comumente de até um ano inteiro de gravações. De acordo com Moura, esse compromisso prolongado limita demais a participação em projetos variados e a busca por novos desafios.
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Durante o bate-papo, o ator enfatizou que acompanhar o dia a dia de uma novela impede a participação em longas-metragens, séries especiais e montagens teatrais. “Fazer uma novela é um compromisso muito longo. É um ano inteiro que você fica agarrado em uma coisa só. É pouco”, destacou Moura, referindo-se à dificuldade de conciliar agendas. Ele afirmou preferir trabalhos com prazos definidos, que ofereçam a flexibilidade necessária para transitar entre diferentes formatos artísticos e explorar papéis diversos.
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Moura também destacou como a experiência nas produções diárias da televisão brasileira foi determinante para sua adaptação em sets internacionais. O ritmo acelerado, em que atores precisam gravar diversas cenas em sequência, teria funcionado como um treino de sobrevivência. “A novela me preparou. Você precisa chegar e já gravar, sem muito espaço para ensaios longos, e isso me deu um sentido de sobrevivência”, afirmou. Essa disciplina, segundo ele, facilitou sua entrada em projetos na Europa e nos Estados Unidos.

A última novela em que Wagner Moura atuou foi Paraíso Tropical, exibida pela TV Globo em 2007. A partir de então, o ator passou a priorizar obras para o cinema e séries de televisão, construindo uma carreira internacional que ganhou destaque em produções hollywoodianas. Em sua conversa com Pedro Bial, ele ressaltou que a prática adquirida em estúdios nacionais o ajudou a lidar com o ritmo intenso e a improvisação exigida em grandes filmes. Assim, seu currículo se diversificou além do formato tradicional das novelas.

Além de abordar seu percurso profissional, Moura comentou aspectos políticos e sociais do Brasil. Ele declarou estar exausto de receber ataques por suas opiniões públicas e manifestou o desejo de ampliar o diálogo com quem pensa de forma diferente. “Estou cansado de ser odiado por uma galera. É cansativo”, admitiu. O ator reforçou a importância de princípios como democracia, tolerância e empatia, concluindo que “no final, o que importa é o amor, o afeto e o respeito até mesmo por quem possui visões contrárias”.

Sem previsão de retorno às novelas, Wagner Moura mantém o foco em projetos de cinema e teatro. Atualmente, ele está no elenco principal da peça Um Julgamento, em cartaz no país, e segue envolvido em produções nacionais e internacionais. O artista afirmou que o tempo livre proporcionado pela ausência nas novelas foi aproveitado para escolher projetos que lhe concedem maior autonomia criativa e explorar personagens variados. Para os próximos anos, sua carreira continuará voltada ao desenvolvimento de obras em diferentes mídias.

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