
Negociações em La Carlota mobilizam governo interino e oposição na busca por eleições livres (Foto: Instagram)
No dia 6 de junho, em Caracas, o governo interino da Venezuela e representantes da oposição se encontraram pela primeira vez em um diálogo apoiado pelos Estados Unidos, cujo objetivo é viabilizar eleições livres e uma transição política. O processo teve início sete meses após a captura do ex-ditador Nicolás Maduro em uma operação norte-americana, e transcorre na ausência da líder opositora e ganhadora do Nobel da Paz, María Corina Machado.
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Somente fotógrafos tiveram acesso ao início das negociações no Centro de Convenções da antiga base militar de La Carlota. Em comunicado conjunto, as partes comprometeram-se a respeitar a soberania nacional e negociar de boa-fé, bem como proteger os direitos humanos e os políticos de todas as correntes. Também afirmaram que buscarão uma solução política, pacífica, democrática e constitucional.
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As delegações definiram a metodologia, as rodadas de trabalho e a pauta de discussões, com encontros previstos até 12 de junho. A mesa de diálogo é conduzida por Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional e irmão da presidente encarregada da Venezuela, e por Dinorah Figuera, líder da bancada que conquistou maioria legislativa em 2015, resultado que não foi reconhecido por Nicolás Maduro. O Departamento de Estado dos EUA qualificou esse primeiro passo como uma “oportunidade única” e lembrou as três fases estabelecidas pela administração Trump para o país: estabilização, recuperação econômica e reconciliação política.
Ao chegar à Venezuela vinda da Espanha, Dinorah Figuera declarou que o diálogo busca promover reformas no Tribunal Supremo de Justiça, no Conselho Nacional Eleitoral e garantir a recuperação dos direitos civis e políticos dos venezuelanos. O processo também gera expectativa entre membros da oposição e familiares de presos políticos, que veem nas conversas uma chance de avançar em demandas históricas.
O dirigente Juan Pablo Guanipa, aliado de María Corina Machado, publicou no X que desta vez há “um garantidor” para assegurar que o chavismo cumpra sua palavra. Segundo ele, espera-se a libertação de todos os presos políticos, a criação de novos poderes públicos e a definição de um cronograma eleitoral com eleições presidenciais, já com María Corina referida como candidata ao cargo.
Observadores internacionais afirmam que Washington veta o retorno de María Corina, embora o governo dos EUA negue essa restrição. Por outro lado, o ex-presidente Donald Trump elogiou o trabalho de Delcy Rodríguez e chegou a sugerir que a Venezuela poderia se tornar o 51º estado norte-americano. Nos protestos recentes, setores de esquerda gritaram “Nem colônia, nem tutela, a pátria não se entrega!” e “Gringo, go home!”, chegando a queimar bandeiras dos EUA. Familiares de detidos políticos também pediram a Dinorah que interceda pela libertação imediata de seus parentes, ressaltando que “os presos políticos não são moeda de troca”. Mayra Morales, de 40 anos, e dezenas de outros mantêm há 60 dias uma vigília próxima à embaixada dos Estados Unidos em Caracas, sem até o momento serem recebidos pelo chargé d’affaires John Barrett.
