Site icon Jetss BR

Lula sanciona a MP do Frete e rejeita ‘jabuti’ que anistiava caminhoneiros bolsonaristas


Lula sanciona MP do Frete no Planalto (Foto: Instagram)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou nesta quarta-feira, 5, a Medida Provisória do Frete em cerimônia no Palácio do Planalto com lideranças dos caminhoneiros. Em seu pronunciamento, Lula ressaltou a necessidade de que os próprios beneficiados acompanhem a aplicação da norma e denunciem eventuais burlas. “Estamos aprovando uma lei, assumindo um compromisso com vocês, e todo mundo tem que ficar atento se essa lei estiver sendo burlada. Se as pessoas não denunciarem, a gente não vai saber”, declarou.

++ Sistema de IA revela como pessoas comuns estão criando novas fontes de renda online

Em seguida, o presidente afirmou que, com a nova regra, a relação entre empresários e caminhoneiros não poderá se basear na “lei do mais forte”, garantindo maior equilíbrio no setor. Ao abordar outras reivindicações da categoria, como acesso a crédito para compra de caminhões e equipamentos, Lula admitiu a dificuldade de convencer as instituições financeiras a apoiar projetos governamentais, apesar das intenções favoráveis do Executivo.

++ Madeleine McCann, desaparecida em 2007, aparece mencionada nos arquivos do caso Epstein

Segundo ele, muitas vezes os bancos não dispõem de experiência suficiente ou temem riscos de inadimplência. “Não pensem que a gente tem facilidade de convencer os bancos a colocar dinheiro. Às vezes, a gente está cheio de boa intenção, toma uma decisão e aí o banco fala: ‘olha, eu não estou preparado para isso, não tenho experiência com isso, a pessoa não vai poder pagar e eu não posso correr o risco’. É muito complicado”, afirmou Lula, ressaltando as barreiras enfrentadas.

A MP do Frete busca endurecer as regras para o transporte de cargas e reforçar o cumprimento do piso mínimo da categoria. No texto original, havia um dispositivo — conhecido no Congresso como “jabuti” — que concedia anistia a caminhoneiros que participaram de manifestações após a vitória de Lula sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Entretanto, o presidente decidiu vetar essa anistia, argumentando que medidas desse tipo poderiam gerar tratamento desigual entre quem atentou contra a democracia e os demais.

Em discurso antes da sanção, os ministros Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, e Luiz Marinho, do Trabalho e Emprego, também se pronunciaram. Marinho enfatizou que a MP foi aprovada no Senado em caráter de urgência após um indicativo de greve do setor, o que, segundo ele, acelerou o processo legislativo. “Poderia ter sido aprovada com mais facilidade, mas foi preciso ameaça”, declarou o ministro, destacando o papel da mobilização dos trabalhadores.

Com a sanção publicada, a MP entra em vigor imediatamente, e caberá às autoridades competentes monitorar seu cumprimento para garantir sua eficácia e evitar que operadores do transporte burlarem a norma. O veto ao jabuti reforça o compromisso do governo em manter a imparcialidade e preservar o regime democrático.

Exit mobile version