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Governo Lula classifica como chantagem e pressão política expulsão de embaixadora por Trump


Maria Luiza Viotti analisa documentos em escritório diplomático em Washington. (Foto: Instagram)

Integrantes do governo Lula reagiram nos bastidores com surpresa à decisão de Donald Trump de revogar o visto diplomático da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti. A manobra foi descrita como tentativa de pressão política e chantagem, e o Planalto ainda não se pronunciou oficialmente sobre o episódio.

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A medida foi tomada após irritação dos Estados Unidos com a demora de Brasília em conceder agrément a Daniel Perez, indicado por Trump para assumir como embaixador americano no Brasil. Na terça-feira, 4, o Departamento de Estado informou que a revogação do visto equivale à expulsão de Viotti, condição que só será revertida se o governo brasileiro aprovar o nome de Perez e encerrar o impasse diplomático.

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Fontes do Itamaraty afirmaram que Viotti não precisa deixar imediatamente os EUA e poderá permanecer até a definição do caso. Diplomatas brasileiros reclamam que a chancelaria estaria “segurando” a consulta formal a Perez, estratégia que teria sido antecipada em reportagem do Estadão em julho, quando se sugeriu que a decisão seria adiada para depois das eleições devido à crise do tarifão.

Em privado, representantes do governo Lula afirmaram que o Departamento de Estado condicionou a permanência da embaixadora à aprovação de um candidato considerado de perfil ideológico. Mencionaram ainda a atuação de um “comitê de campanha” na Casa Branca e alertaram para o risco de mexer no processo em ano eleitoral.

Pelo protocolo da Convenção de Viena, a nomeação de um embaixador requer o agrément do Estado receptor, que pode ser negado sem justificativa. No caso de Perez, Trump enviou seu nome ao Senado em 1º de junho, mas só teria solicitado o consentimento de Brasília quase um mês depois. Depois de dois meses sem resposta, a indicação já tramita no Congresso americano, tendo sido aprovada pela Comissão de Relações Exteriores e aguardando votação em plenário.

Analistas lembram que, no governo Jair Bolsonaro, Trump seguiu o rito correto ao indicar Todd Chapman como embaixador em Brasília, obtendo o aval discreto do Itamaraty em outubro de 2019 antes de anúncio público. A divergência atual evidencia um suposto “atropelo” protocolar por parte da administração Trump em relação ao governo Lula.

O episódio integra uma série de entraves sobre vistos entre Brasil e EUA. Em maio, Lula levou a Trump uma lista de ministros e ministros do STF que ainda aguardavam restabelecimento de vistos cancelados. Houve também expulsão recíproca de oficiais da PF e do ICE, negativa a Darren Beattie e rejeição de vistos a dois diplomatas americanos que seriam recebidos no Tribunal Superior Eleitoral, em meio a nova onda de questionamentos bolsonaristas sobre as urnas eletrônicas. O Departamento de Estado nega motivações políticas, afirmando que a agenda incluiria discussões sobre integridade eleitoral, liberdade religiosa e de expressão.

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