
Marcola nega irregularidades e diz que R$249 mil foi empréstimo pessoal (Foto: Instagram)
O ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Santana Ribeiro — o Marcola — voltou a defender a lisura de suas operações financeiras nesta terça-feira, 4, ao afirmar que o envio de R$ 249 mil à lobista Roberta Luchsinger correspond eu exclusivamente a um empréstimo pessoal. Ele ressaltou que, para demonstrar total transparência, disponibilizou seus sigilos bancário e fiscal à disposição da Justiça.
++ Sistema de IA revela como pessoas comuns estão criando novas fontes de renda online
Em nota oficial, Marcola destacou que jamais existiu qualquer outra natureza na movimentação de R$ 249 mil e que o valor foi integralmente quitado após a transferência. “Em primeiro lugar, meus sigilos bancário e fiscal estão integralmente à disposição da Justiça. Faço isso para deixar claro e público que jamais houve nada além do empréstimo pessoal que obtive junto a ela, pago com a transferência bancária de R$ 249 mil — uma movimentação de natureza estritamente privada. Já constituí advogado e o orientei a fazer uso de todos os documentos a fim de esclarecer os fatos”, escreveu o ex-assessor.
++ Madeleine McCann, desaparecida em 2007, aparece mencionada nos arquivos do caso Epstein
Marcola reforçou ainda que pautou sua atuação pública sempre “pela ética, compromisso e transparência” e criticou quem lança suspeitas sem provas. “A quem apresenta especulações e ilações, respondo com fatos, documentos e a minha inteira disposição e tranquilidade de colaborar com a Justiça”, completou.
A transação entre Marcola e Roberta Luchsinger foi apontada pela Polícia Federal no pedido de abertura de inquérito para investigar possível tráfico de influência do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, junto ao Ministério da Saúde e ao Palácio do Planalto. Entre as hipóteses sob exame está se o pagamento configuraria propina para facilitar acesso a cargos e contratos. A existência do empréstimo foi inicialmente divulgada pelo site Poder360 e depois confirmada pelo Estadão/Broadcast.
Ao comentar a matéria que tratou o empréstimo como ilegal, o ex-chefe de gabinete disse ter recebido a informação com surpresa e lamentou a interpretação. “Nunca tive nenhuma relação que caracterize qualquer ilegalidade no exercício de minha função”, afirmou Marcola, que deixou o cargo em 21 de julho do ano passado.
Relatórios do Estadão/Broadcast mostram que Roberta Luchsinger compareceu mais de 40 vezes a órgãos do governo federal entre 2023 e 2025 sem registro nas agendas oficiais. Em 2023, suas visitas incluíram encontro com o então ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e ela também ingressou diversas vezes no Ministério da Saúde, alinhado ao interesse do empresário Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS.
Para apurar as suspeitas de tráfico de influência, a Polícia Federal já abriu dois inquéritos, um envolvendo o Ministério da Saúde e o Palácio do Planalto e outro focado em contratos na Dataprev — ambos distribuídos ao ministro André Mendonça, do STF. Um terceiro pedido de investigação foi remetido ao Supremo e ficou a cargo do ministro Flávio Dino, que ainda não decidiu sobre sua instauração.
Até o momento, não há previsão para conclusão das apurações, que permanecem em sigilo sob responsabilidade do Supremo Tribunal Federal.
