
Daiane dos Santos participa do painel “Do pódio a novos desafios” no Summit Mulheres nas Profissões (Foto: Instagram)
Daiane dos Santos e Patrícia Medrado aproveitaram o encerramento das carreiras para reforçar a importância dos estudos como complemento ao esporte. Ambas participam do painel Do pódio a novos desafios, mediado por Gabriela Sabino, presidente do Instituto Futuro em Jogo, no Summit Mulheres nas Profissões, onde apresentaram projetos que unem aprendizado acadêmico e prática esportiva para crianças e jovens.
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Após decidir abandonar as competições em 2012, Daiane formou-se em Educação Física e lançou o projeto social “Brasileirinhos”, inspirado no movimento Dos Santos II, executado por ela nas Olimpíadas de Atenas de 2004. Volta suas aulas para as comunidades de Paraisópolis e Aricanduva, onde já beneficiou mais de 1.500 crianças com iniciação à ginástica.
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Durante o painel, Daiane ressaltou que o esporte deve servir como “ferramenta de inclusão” e propulsor de sonhos. “Infelizmente, ouvimos que atleta não pode estudar. Mas é fundamental para a dignidade ter uma formação”, afirmou. Ela também acredita que o “título” mais importante é vencer “o campeonato da vida”, ajudando jovens a acreditarem em suas próprias capacidades.
Em entrevista ao Estadão, a ex-ginasta comentou sobre sua atuação como comentarista na Rio-2016, evento que comemora 10 anos neste ano. “Foi emocionante mostrar algo que amo e apaixonar o público a cada salto e coreografia”, disse. Para Daiane, acompanhar o legado positivo dos Jogos, ainda que do outro lado da telinha, foi um desafio recompensador.
Apesar dos avanços, ela entende que o cenário olímpico brasileiro pode evoluir mais. “O Bolsa Atleta trouxe sustento, existem benefícios sociais, mas precisamos de mais. O Brasil é enorme e queremos ver cada vez mais atletas alcançando feitos incríveis”, avaliou, destacando a estrutura criada após a Rio-2016.
Daiane também compartilhou a reflexão sobre terminar a carreira sem medalha olímpica. “Treinamos muito e, às vezes, a vitória não vem. Mas fui a primeira mulher negra campeã mundial na ginástica, e celebrar a conquista bicampeã de Rebeca Andrade é reconhecer que sua vitória é a nossa vitória”, concluiu.
Patrícia Medrado, que foi número 1 do tênis brasileiro por 11 anos e medalhista de prata no Pan de 1975, idealizou em 1996 o programa “Tênis nas Escolas” para levar o esporte a escolas públicas e áreas vulneráveis. Mais tarde, fundou o Instituto Patrícia Medrado, ampliando o alcance de suas ações.
Ela recordou os desafios de crescer no futebol proibido às mulheres e a influência do pai sociólogo para priorizar o estudo. “Fiz vestibular, assumi duas faculdades enquanto treinava, graças à luta de muitas mulheres tivemos o profissionalismo”, explicou.
Patrícia também foi a primeira comentarista mulher de tênis na TV, mas só era escalada para jogos femininos. “Hoje há várias mulheres comentando todos os jogos, mas o caminho ainda é longo”, afirmou. Sobre o futuro do tênis nacional, celebrou a nova geração com nomes como Guto Miguel, Naná e Vitória, considerando este “um dos melhores momentos do tênis brasileiro”.
