Sogro de vítima morta em ataque na Bombril destaca: ‘Trabalhou 10 anos e nunca faltou um dia’

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Sogro de Douglas de Souza Vieira lamenta falhas de segurança e homenageia dedicação do genro (Foto: Instagram)

Os velórios e enterros das vítimas do ataque na fábrica da Bombril, em São Bernardo do Campo (SP), foram marcados por grande comoção neste domingo (2). Durante as cerimônias, o sogro de Douglas de Souza Vieira, de 39 anos, conversou com a equipe do Bacci Notícias e emocionou-se ao relembrar a dedicação do genro à família e ao trabalho. Ele descreveu os momentos de despedida como um misto de dor e gratidão pelos anos vividos ao lado de Douglas.
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Em sua homenagem, o sogro recordou que Douglas começou a namorar sua filha há mais de dez anos e, desde então, foi motivo de extremo orgulho para toda a família. “Ele sempre foi um marido exemplar, um pai dedicado e um companheiro fiel”, contou. O casal deixa dois filhos: um menino de 8 anos, fruto biológico, e outro de 12, que Douglas criou como se fosse seu próprio herdeiro, participando ativamente da rotina escolar e dos momentos de lazer.
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Muito emocionado, o familiar enfatizou o comprometimento de Douglas com a Bombril. “Ele atuou na empresa por uma década e não faltou um único dia, nunca reclamou do horário e mantinha bom convívio com todos os colegas”, afirmou. Segundo o sogro, Douglas era reconhecido não apenas pela pontualidade, mas também pelo espírito colaborativo e pelo bom humor, sempre disposto a ajudar em tarefas extras ou a oferecer apoio a amigos e vizinhos.

O sogro também manifestou indignação ao questionar as brechas na segurança que permitiram a entrada do autor do ataque, mesmo estando de folga. “Como alguém que não estava escalado conseguiu acessar a fábrica com duas facas? Disseram que o crachá não libera o acesso nos dias de descanso”, indagou. Ele ainda mencionou rumores de que o agressor sofria bullying no trabalho e lamentou que, se isso fosse verdade, não tenha havido atendimento ou denúncia formal antes da tragédia.

Natural de Goiás, o sogro revelou que viajou durante a madrugada para São Paulo assim que soube da morte de Douglas. De acordo com ele, a filha está abalada, sem conseguir ainda aceitar a perda, e o neto de 8 anos tenta compreender por que não verá mais o pai. “Meu neto queria ter a chance de dizer adeus. É uma dor sem tamanho. Agora, só nos resta amparar minha filha e confortar meus netos”, desabafou.

O ataque aconteceu na manhã de sábado (1º) dentro da fábrica da Bombril. Além de Douglas, morreram José Guilherme Victoriano de Moura, de 54 anos, e Edvaldo Santos da Silva, de 44. O autor, Claudio Henrique da Silva, de 33 anos, também terceirizado na unidade, foi contido por colegas, mas foi encontrado sem vida horas depois na carceragem do 2º Distrito Policial de São Bernardo do Campo. A ocorrência foi registrada como suicídio e segue sob investigação da Polícia Civil.

Em nota, a Bombril informou que está prestando apoio às famílias, colaborando com as apurações e reforçando medidas de segurança na unidade. A empresa afirmou ainda manter canais para denúncias de assédio, bullying e outras condutas inapropriadas e garantiu não haver registros anteriores envolvendo os funcionários citados. A companhia declarou que irá revisar protocolos de entrada de visitantes e colaboradores em dias de folga.