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Venda de mansão luxuosa na praia acaba no ‘tribunal do crime’, entenda


Mansão de alto padrão na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, sob investigação na Operação Janus (Foto: Instagram)

Uma mansão de alto padrão avaliada em cerca de R$ 2 milhões, situada na Riviera de São Lourenço em Bertioga, litoral paulista, tornou-se peça-chave na investigação da Operação Janus. O Ministério Público de São Paulo apura se a negociação desse imóvel foi desviada do trâmite comercial usual e entregue ao Primeiro Comando da Capital (PCC) para resolução de conflitos. A suspeita é de que empresários investigados por lavagem de dinheiro tenham submetido a disputa a um “tribunal do crime” mantido pela facção, em vez de buscar solução pela Justiça civil.

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Segundo o MP-SP, o desentendimento sobre a venda do imóvel não chegou a ser conduzido pelos canais legais: em vez disso, foi levado a um “tribunal do crime” administrado pelo PCC, que atua como árbitro em disputas entre membros próximos à organização. A investigação aponta possível conluio entre empresários e integrantes da facção para mediar valores e condições da transação imobiliária, o que configura interferência de grupo criminoso em atividade comercial legítima.

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A Operação Janus, deflagrada em 21 de fevereiro, tem como um dos objetivos desarticular esse esquema de lavagem de dinheiro associado à mansão na Riviera de São Lourenço. Dos 13 alvos dos mandados de prisão, 11 foram detidos durante as buscas realizadas pelo MP-SP e pela Polícia Civil, enquanto dois já estavam encarcerados por investigações anteriores. Ainda permanecem foragidos cinco investigados, entre eles Leonardo Meirelles, considerado foragido prioritário em outras operações policiais.

Entre os principais personagens da apuração está o empresário Cléber Azevedo dos Santos, apontado como responsável por intermediar a venda do imóvel, e o suposto comprador Marcelo de Morais Oliveira. O conflito entre os dois girava em torno dos valores acordados para a transação, estimada em aproximadamente R$ 2 milhões. A perícia em celulares apreendidos revelou indícios de que a divergência foi levada a membros do PCC e não tratada apenas como questão comercial, configurando imposição de estrutura criminosa sobre o negócio.

Em mensagens trocadas em maio de 2023, Cléber relata a participação em um encontro na Zona Sul de São Paulo com supostos integrantes do PCC para discutir a negociação da mansão. Segundo a investigação, Marcelo compareceu acompanhado de pessoas vinculadas à facção, com o objetivo de pressionar o vendedor durante as negociações. Nas conversas, surgem referências ao “comando” e ao “resumo de SP”, expressões que, conforme o MP, aludem ao procedimento interno do PCC para mediar conflitos entre associados.

Os promotores apontam ainda que Cléber aceitou, de forma voluntária, as decisões do chamado “tribunal do crime”, reconhecendo a hierarquia e as regras impostas pela facção mesmo sem integrar formalmente o grupo. Além desse episódio, há indícios de que o empresário já havia solicitado a intervenção do PCC em outra transação, relativa à compra de um galpão na Zona Leste de São Paulo, empreendimento que também envolvia nomes como Leonardo Meirelles e Raphael Flores Rodriguez.

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