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Padrasto é detido por manter enteado autista acorrentado


Corrente apreendida na sala onde adolescente foi encontrado acorrentado em Anápolis (GO). (Foto: Instagram)

Um homem de 54 anos foi detido em Anápolis (GO) sob suspeita de manter em cárcere privado e submeter a maus-tratos o enteado de 13 anos, diagnosticado com autismo e esquizofrenia. Segundo a Polícia Civil, o adolescente foi encontrado acorrentado a um sofá dentro de uma sala comercial trancada, em condições degradantes. A prisão ocorreu na terça-feira (21) na rodoviária da cidade, quando o padrasto tentava deixar o município. Ele responderá por maus-tratos e privação de liberdade e, em caso de condenação, pode pegar até 13 anos de reclusão.

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O resgate aconteceu seis dias antes, em uma ação da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). Durante a operação, os policiais ouviram gritos, pedidos de socorro e choros vindos de uma sala comercial sem janelas e sem rota de fuga. A entrada só se fez possível após o proprietário do imóvel ceder uma chave reserva. No interior, encontraram o jovem isolado, com uma porta de metal trancada no lado de fora, sem qualquer acesso ao lado externo.

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Após ser retirado do local, o adolescente relatou que permanecia preso por correntes fixadas atrás do sofá e sofria agressões recorrentes. Indicou pontos no móvel utilizados para limitar seus movimentos. As avaliações médicas iniciais registraram ferimentos nos braços, pernas e tórax, sendo que uma das lesões no peito teria sido causada por golpes de um cipó. Perícia no Instituto Médico Legal constatou lesões antigas e recentes, evidenciando padrão de agressões repetitivas.

Na vistoria do imóvel, os agentes também encontraram indícios das condições de moradia do garoto. Ele dormia em um sofá, coberto apenas por uma manta, enquanto os responsáveis pelo imóvel utilizavam uma cama. Segundo a investigação, a mãe e o padrasto deixaram o endereço ao perceberem a chegada das equipes policiais no momento do resgate, evidenciando tentativa de fuga.

A mãe do adolescente foi conduzida à delegacia para prestar esclarecimentos sobre seu possível envolvimento. Conforme a delegada Aline Cardoso, há suspeitas de que a mulher também sofria violência doméstica e poderia ter sido impedida pelo companheiro de buscar socorro para o filho, apresentando indícios de coação e dependência.

O jovem, que faz uso contínuo de medicação para autismo e esquizofrenia, recebeu atendimento médico logo após a remoção e foi mantido sob cuidados hospitalares devido ao seu quadro de saúde. A Prefeitura de Anápolis informou que busca um responsável ou cuidador habilitado para acompanhar o adolescente, já que não havia familiares disponíveis. O Conselho Tutelar local também foi acionado para providenciar acompanhamento pós-alta.

Além das apurações sobre maus-tratos e cárcere privado, a Polícia Civil investiga se o adolescente recebia benefícios financeiros em razão de sua condição de saúde e se esses valores eram administrados pelos responsáveis. A equipe requisitou extratos bancários e analisará eventuais depósitos realizados em nome do jovem junto ao INSS.

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