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Da paixão ao desencanto: torcedor abandona o entusiasmo da Copa após décadas de frustrações com a Seleção


Alegria alemã e desolação brasileira na histórica derrota por 7 a 1 em Belo Horizonte (Foto: Instagram)

A Copa do Mundo sempre foi sinônimo de festa no Brasil: ruas decoradas, encontros familiares e a esperança de mais um título mundial. Contudo, após anos de decepções em finais, semifinais e eliminações precoces, muitos torcedores perderam a empolgação, como revela o aposentado Osvaldo Inácio de Oliveira, de 62 anos, que diz ter se distanciado da Seleção Brasileira.
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Desde menino apaixonado pelo futebol, Osvaldo acompanhou gerações de craques que, segundo ele, encarnavam o jeito brasileiro de jogar: “Havia comprometimento, amor à camisa e alegria, mesmo nas derrotas.” No entanto, anos de frustrações e episódios controversos o fizeram quebrar o vínculo afetivo com o time nacional.
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Para Osvaldo, a Copa de 1982 tem lugar especial na memória. Guiada por Telê Santana, aquela seleção, mesmo eliminada pela Itália na Tragédia do Sarriá, encantou o mundo com Zico, Sócrates, Falcão e Júnior. O aposentado lembra que o estilo ofensivo e vistoso foi marcante, ainda que o título tenha escapado.

O distanciamento, porém, começou de verdade na final de 1998, em Paris. Horas antes do jogo contra a França, Ronaldo sofreu uma convulsão e, apesar disso, foi escalado na derrota por 3 a 0. “A lógica seria preservar o atleta e buscar a vitória com outra formação. Aquilo gerou muitas dúvidas sobre a condução da equipe”, comenta Osvaldo.

O sentimento de frustração só cresceu em 2014, na semifinal em Belo Horizonte, quando o Brasil levou 7 a 1 da Alemanha, a maior goleada da sua história em Mundiais. A derrota expôs, para ele, “incompetência e falta de garra”. Nos Mundiais seguintes, as eliminações e o futebol irregular mantiveram seu afastamento. No sábado (13), durante a estreia de 2026, ele saiu para uma caminhada de 70 minutos em vez de assistir ao empate de 1 a 1 com Marrocos pelo Grupo C.

Hoje, Osvaldo acredita que o futebol moderno virou reflexo de interesses comerciais e financeiros, prejudicando a essência do jogo. “Jogadores jovens ganham notoriedade e salários altos rapidamente, mas o que mais me interessa são jogadas bonitas, raciocínio rápido e gols de efeito.” Sem esperança de mudanças, ele diz que não se sente mais representado pela Seleção e prefere torcer por causas como o fim dos maus-tratos aos animais e mais consciência humana.

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