
Rebanho de bovinos mortos após massa polar atingir Mato Grosso do Sul (Foto: Instagram)
Uma intensa massa de ar polar avançou sobre Mato Grosso do Sul e resultou na morte de 83 bovinos em fazendas do estado nesta última semana. As temperaturas chegaram a ficar abaixo de 7°C e provocaram formações de geada que cobriram pastagens, acompanhadas de ventos cortantes. Produtores rurais relataram que vários rebanhos ficaram expostos ao frio durante a madrugada, sem estruturas de abrigo adequadas, e não resistiram às condições adversas. As perdas chamam atenção pelo número expressivo de animais afetados em diferentes propriedades.
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Os incidentes ocorreram em municípios do interior, sobretudo em fazendas de Nova Andradina e Angélica. Técnicos da IAGRO apontaram que, em certas localidades, a sensação térmica chegou próxima de 0°C, acarretando queda brusca na temperatura corporal dos bovinos. Na área rural de Nova Andradina, 74 bois foram encontrados mortos em quatro propriedades distintas, enquanto em Angélica o registro foi de nove animais. Segundo relatório preliminar, o quadro de hipotermia foi identificado como a principal causa dos óbitos, após análises iniciais nos laudos veterinários.
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Especialistas em medicina veterinária explicam que a combinação de vento intenso, elevada umidade e temperaturas muito baixas agravou a situação nos pastos. Sem disponibilidade de abrigos ou mangueiras cobertas, os animais permaneceram horas expostos às condições climáticas extremas, o que acelerou a perda de calor corporal. A hipotermia ocorre quando o organismo deixa de manter a temperatura interna, comprometendo funções vitais. Em criatórios sem sistemas de proteção, o risco de morte aumenta consideravelmente, sobretudo durante eventos meteorológicos atípicos como este.
No mesmo período do ano passado, Mato Grosso do Sul enfrentou perdas ainda maiores: mais de 2,5 mil bovinos faleceram em decorrência de frentes frias intensas. Técnicos ressaltam que animais jovens, com alimentação insuficiente ou de raças menos adaptadas ao frio têm maior dificuldade de resistência a mudanças bruscas de temperatura. Além disso, propriedades que não investem em cobertura de mangueiras, galpões ou barreiras de vento veem seus rebanhos ainda mais vulneráveis. A falta de planejamento para eventos climáticos extremos pode resultar em prejuízos significativos ao produtor.
A IAGRO mantém monitoramento constante das áreas afetadas e tem enviado orientações aos pecuaristas para implementação de medidas preventivas, como reforço na alimentação, construção de abrigos e instalação de quebra-ventos. Produtores são instruídos a acompanhar boletins meteorológicos e preparar o rebanho antes da chegada de frentes frias. A adoção de práticas de manejo adequadas é considerada essencial para minimizar o impacto de eventos similares no futuro e reduzir o índice de mortalidade bovina em épocas de baixas temperaturas.
