
Mércia Nakashima e Mizael Bispo de Souza: vítima e réu do caso de 2010 (Foto: Instagram)
Mizael Bispo de Souza, ex-policial militar e ex-advogado, lançou um livro no qual nega ter participado do assassinato da advogada Mércia Nakashima, ocorrido em 2010. Na obra, ele critica a condução da investigação, o Ministério Público e a cobertura da imprensa, chegando a chamar o caso de “armação” e afirmando que “o verdadeiro autor” jamais foi localizado, reacendendo o debate sobre um dos crimes mais emblemáticos do país 16 anos após o início do inquérito.
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Intitulada “Na Cova dos Leões – Uma história de luta, sofrimento, dor e injustiça! Nada está perdido”, a obra reúne cerca de 140 páginas escritas durante sua prisão e está disponível exclusivamente em formato digital na Amazon pelo preço de R$ 16. Segundo o autor, o livro revela detalhes não filtrados e promete mostrar “a verdade” sobre os bastidores do caso.
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Em um vídeo compartilhado nas redes sociais, Mizael afirma que seu relato é “real e sem ficção” e garantiu que o público conhecerá a história completa “sem manipulação e sem cortes”. O advogado Samir Haddad Júnior, responsável pela supervisão do conteúdo, comparou o cliente ao personagem bíblico Daniel, explicando que o título faz referência à cova dos leões, onde Daniel teria sido condenado sem evidências.
Ao longo do livro, Mizael altera os nomes de envolvidos: Mércia passa a ser “Márcia”, o irmão dela, Márcio Nakashima, é chamado de “Marcos”, o delegado Antônio de Olim aparece como “doutor Roolim” e o promotor Rodrigo Merli recebe outro pseudônimo. Ele também sugere que outras pessoas próximas à vítima não foram investigadas pelo Departamento de Homicídios.
Ele insiste que “o verdadeiro autor do crime” segue em liberdade e teria até “dado risadas das trapalhadas da polícia”. “Nunca matei ninguém em minha vida, quiçá uma pessoa que eu tanto amei”, defende-se, alegando perseguição por parte das autoridades e sustentando que sua condenação decorreu de falhas no processo.
O desaparecimento de Mércia Nakashima ocorreu em 23 de maio de 2010, após ela sair da casa da avó em Guarulhos, região metropolitana de São Paulo. O automóvel da advogada foi localizado submerso em uma represa em Nazaré Paulista semanas depois, e o corpo foi encontrado no dia seguinte. Segundo a investigação, Mizael a teria atraído até o local, disparado contra ela e lançado o carro na água.
Preso em 2012 após período foragido, Mizael foi condenado em 2013 a mais de 20 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado, pena que foi elevada para cerca de 22 anos em 2017. Desde 2023, cumpre o restante da sentença em regime aberto. O promotor Rodrigo Merli Antunes criticou o conteúdo e advertiu que o condenado pode ser processado por calúnia e difamação, enquanto o delegado Antônio de Olim o classificou como mentiroso e destacou que, se julgado hoje, ele responderia por feminicídio.







