
Deolane Bezerra em momento de lazer antes de detenção pela Interpol (Foto: Instagram)
A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo recorreram à Interpol para acompanhar a influenciadora e advogada Deolane Bezerra durante uma viagem de 20 dias a Roma, na Itália. A operação foi deflagrada na quinta-feira (21) e culminou na detenção da empresária em sua mansão em Barueri, na Grande São Paulo, um dia após seu desembarque no Brasil.
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Durante a estadia em solo europeu, Deolane ficou hospedada em um edifício de alto luxo na região da Piazza di Spagna, onde as diárias ultrapassam R$ 15 mil. Inicialmente, autoridades paulistas planejavam efetu-ar a prisão em Roma, mas a influenciadora antecipou seu retorno ao país. A Interpol, com seus 196 países membros, integra forças de segurança globais para prevenir e combater crimes transnacionais, como terrorismo, cibercrime, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
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Segundo os investigadores, Deolane era apontada como uma das responsáveis pela movimentação de valores milionários oriundos do núcleo financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio de empresas de fachada. O esquema teria utilizado negócios formalmente registrados para dar aparência legal a recursos ilícitos. Parte do montante, ainda de acordo com a apuração, teria circulado por uma transportadora sediada em Presidente Venceslau, cidade do interior paulista conhecida por abrigar presídios de segurança máxima.
Relatórios financeiros identificaram operações incompatíveis com a renda declarada da influenciadora. Em razão dos indícios, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 27 milhões vinculados diretamente a Deolane e de mais de R$ 327 milhões em bens e ativos atribuídos ao grupo investigado.
A ação também mirou integrantes da cúpula do PCC, como Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, que já cumpre pena em presídio federal, além de familiares e operadores financeiros suspeitos de integrar o esquema. A investigação teve início após a apreensão de bilhetes encontrados dentro de uma penitenciária em São Paulo, os quais teriam revelado detalhes sobre movimentações financeiras da facção e conexões com empresas associadas à influenciadora.
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a suspeita de depósitos fracionados em contas ligadas a Deolane. Conforme o inquérito, mais de R$ 1 milhão teria sido movimentado por meio de pequenas transferências, estratégia adotada para dificultar o rastreamento pelas autoridades.
Em sua audiência de custódia, na tarde de sexta-feira (22), Deolane defendeu que os valores se referem a honorários de sua atividade profissional, pagos entre 2019 e 2020. “Fui presa no exercício da profissão. Na época, advogava para um cliente que me depositou R$ 24 mil, quantia que consta no relatório policial”, afirmou.
