
Profissionais de saúde em traje de proteção realizam desinfecção em resposta ao surto de ebola na República Democrática do Congo. (Foto: Instagram)
Na sexta-feira (22), a Organização Mundial da Saúde decidiu elevar o risco da epidemia de ebola na República Democrática do Congo ao nível “muito alto”, o patamar máximo de sua escala de alerta. A decisão foi tomada após o registro de um surto que tem se ampliado de forma rápida em diversas províncias do país africano.
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Segundo a OMS, até o momento já foram confirmados 82 casos de ebola no Congo, dos quais resultaram sete mortes. As autoridades de saúde investigam mais 750 casos suspeitos e registraram 177 óbitos que podem estar relacionados ao vírus.
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No último sábado (18), a OMS declarou emergência de saúde pública internacional em razão da confirmação de infecções pela variante Bundibugyo do vírus ebola no Congo e em Uganda. No país vizinho, o surto permanece sob controle, com dois casos confirmados e um registro de óbito.
A cepa Bundibugyo desperta preocupação por ainda não contar com vacina ou tratamentos aprovados pela OMS. Assim, os esforços concentram-se em medidas tradicionais de contenção: isolamento de pacientes, rastreamento rigoroso de contatos e diagnóstico rápido dos suspeitos.
A representante da OMS no Congo, Anne Ancia, ressaltou que a capacidade de testagem na região afetada é insuficiente. Os laboratórios locais conseguem realizar apenas seis exames por hora para detectar a variante, o que limita a agilidade na confirmação de novos casos.
Ancia também explicou que a detecção inicial do surto foi prejudicada pelo fato de os kits de diagnóstico disponíveis identificarem apenas a cepa Zaire, mais comum em epidemias anteriores. Isso provocou demora na confirmação de infecções pela variante Bundibugyo.
Para reforçar a resposta à crise, a OMS enviou ao Congo 18 toneladas de materiais médicos, incluindo equipamentos de proteção individual, insumos laboratoriais, kits de coleta de amostras e itens para rastreamento de contatos. No entanto, a organização alerta que cortes no financiamento global para saúde têm comprometido a eficiência das operações no país.
Além disso, Ancia destacou que a saída oficial dos Estados Unidos da OMS e a redução de fundos internacionais destinados a emergências sanitárias vêm dificultando a mobilização de recursos. Nas últimas cinco décadas, o ebola já foi responsável por mais de 15 mil mortes em diversos surtos pelo continente africano.







