
Protótipo do eVTOL da Eve Air Mobility em voo pairado na pista de testes de Taubaté (Foto: Instagram)
O projeto de carro voador desenvolvido no Brasil progrediu para uma etapa crucial após a Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer, finalizar com sucesso os primeiros ensaios de voo pairado e operação em baixa velocidade do seu eVTOL (veículo elétrico de decolagem e pouso vertical). Esses testes iniciais marcaram a transição do protótipo de um conceito de laboratório para um demonstrador de voo, validando o funcionamento dos principais sistemas de sustentação e controle de vetor de empuxo.
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A conclusão desses voos preliminares representa um avanço importante no cronograma do programa, preparando o caminho para os chamados voos de transição. Nessa fase, o eVTOL executará manobras em que muda do modo de decolagem e pouso vertical para voo horizontal, condição indispensável para sua aplicação em rotas urbanas e operações ponto a ponto em grandes centros.
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De acordo com a Eve Air Mobility, foram realizados 59 ensaios durante a etapa inicial de validação. Essas provas avaliaram aspectos como desempenho aerodinâmico em diferentes ângulos de ataque, capacidade de sustentação de carga útil máxima, consumo energético dos sistemas de propulsão elétrica e o comportamento dos motores sob variações de demanda, simulando cenários típicos de operação urbana.
Nos voos pairados, o eVTOL alcançou 65,5 metros de altura e manteve-se no ar por quase quatro minutos seguidos, tempo suficiente para monitorar a estabilidade de controle. Em testes de translação em baixa velocidade, o protótipo atingiu velocidades entre 27 km/h e 37 km/h, validando também os sistemas de pouso automático e as redundâncias de segurança projetadas para garantir confiabilidade mesmo em eventuais falhas de componentes.
Agora, o programa entra em um dos estágios mais desafiadores: os voos de transição, cuja execução está prevista para o segundo semestre de 2026. Essa fase irá comprovar a viabilidade do veículo em trajetos que exigem mudanças dinâmicas de vetor de força, fundamentais para que o eVTOL opere em corredores aéreos definidos acima de áreas urbanas. Até o momento, a empresa já contabiliza mais de 2,9 mil reservas em 13 países, demonstrando interesse crescente no conceito.
O futuro “carro voador” terá capacidade para até cinco ocupantes – quatro passageiros e um piloto – e autonomia estimada de até 100 quilômetros por viagem, atendendo a trajetos metropolitanos de curta distância. A proposta é oferecer uma alternativa de transporte ágil, capaz de reduzir congestionamentos e conectar pontos isolados de grandes regiões metropolitanas.
A produção ficará a cargo de uma unidade em Taubaté, interior de São Paulo, onde a expectativa é alcançar uma linha de montagem com capacidade para até 480 aeronaves por ano. A Eve Air Mobility projeta concluir o desenvolvimento do modelo até 2027, abrindo caminho para a certificação e introdução comercial em seguida.
