
Deolane Bezerra em selfie registrada em ambiente residencial (Foto: Instagram)
O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, defendeu nesta quinta-feira (21) a prisão da advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra, ocorrida em Barueri, na Grande São Paulo, como um passo essencial para demonstrar que figuras públicas não estão acima da lei. Durante coletiva sobre a Operação Vérnix, ele ressaltou o peso simbólico da medida para o Judiciário paulista, citando a repercussão social gerada pela detenção de alguém com grande visibilidade nas redes.
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Em seu pronunciamento, Oliveira e Costa enfatizou a urgência de afastar os jovens das estruturas criminosas, reforçando que a legislação, aliada à mobilização da sociedade, pode reverter cenários de aliciamento. “Essa ação tem um caráter absolutamente pedagógico e esperamos que cause um efeito inibitório, porque não há caminho fácil para o jovem. Se ele sai de uma faculdade sem recursos e é seduzido por dinheiro do crime, dá nisso”, afirmou o procurador-geral.
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A Operação Vérnix corresponde à terceira fase de uma investigação que teve início em 2019, após a apreensão de manuscritos na Penitenciária II de Presidente Venceslau. Com base em cruzamentos de informações do Ministério Público e da Polícia Civil, as apurações identificaram uma transportadora de cargas na mesma região que funcionaria como fachada para movimentar recursos da cúpula do PCC, grupo liderado nas prisões por Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola.
De acordo com o inquérito, os valores saíam dessa transportadora para contas intermediárias, em uma estratégia para dificultar o rastreamento. Duas dessas contas estão registradas em nome de Deolane Bezerra. Entre 2018 e 2021, a influenciadora teria recebido R$ 1.067.505,00 por meio de depósitos fracionados abaixo do limite de R$ 10 mil, prática observada pelas autoridades como indicativo de ocultação de patrimônio. Everton de Souza é apontado como responsável por operar essas transações.
As apurações também revelaram que duas empresas ligadas a Deolane receberam cerca de 50 depósitos somando R$ 716 mil, originários de um banco de crédito cujo titular formal reside na Bahia e declara renda de um salário mínimo. Não foram encontradas prestações de serviços jurídicos que justifiquem a entrada desses valores no caixa das empresas. Com base nesses indícios, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões das contas da influenciadora, equivalente à quantia que ainda requer comprovação de origem.
A ação desta quinta-feira cumpriu seis mandados de prisão preventiva e diversas ordens de busca e apreensão. Além de Deolane, foram alvos o líder preso Marcola, seu irmão Alejandro Camacho e outros parentes vinculados à facção. Investigadores também cumpriram mandados em endereços de um contador e de Giliard Vidal dos Santos, considerado filho de criação de Deolane. A decisão judicial justificou as prisões para garantir a ordem pública, impedir ocultação de bens e evitar fuga, já que parte dos investigados se encontra fora do país. O despacho ainda determinou o bloqueio de R$ 357,5 milhões e o confisco de 39 veículos avaliados em R$ 8 milhões. A defesa terá prazo para apresentar documentos contábeis que comprovem a legalidade das transações e a origem dos bens.







