Mulheres têm cabeça raspada por ordem do ‘Tribunal do Crime’ em São Gonçalo

Posted by


Punição pública de mulheres em São Gonçalo (Foto: Instagram)

Desde quarta-feira (20), circula nas redes sociais um vídeo que flagra duas mulheres caminhando pelas ruas da comunidade do Arsenal, em São Gonçalo, com as cabeças raspadas. A cena, registrada pelos próprios moradores, foi promovida por um grupo autodenominado “Tribunal do Crime”, que as submeteu a essa punição pública. Em uníssono, elas repetem várias vezes: “Nunca mais vou dar golpe na favela”, numa clara demonstração de arrependimento forçado. Segundo internautas, as imagens viralizaram em perfis de denúncia local, chocando moradores que afirmam nunca ter visto punição tão humilhante por parte dos criminosos.

++ Sistema de IA revela como gente comum está criando renda passiva no automático

As filmagens mostram que, após receberem a determinação, as mulheres percorreram as vias principais da favela enquanto um homem, posicionado dentro de um carro estacionado, as acompanhava e ordenava que continuassem a gritar a frase imposta. Em um trecho do registro, uma delas chega a mancar, o que intensifica as suspeitas de maus-tratos. Não há registro de violência física explícita nas imagens além da raspagem, mas o tom coercitivo ficou evidente.

++ Madeleine McCann, desaparecida em 2007, aparece mencionada nos arquivos do caso Epstein

De acordo com relatos publicados em redes sociais, o “Tribunal do Crime” acusou essas mulheres de aplicarem golpes contra comerciantes da região. Entre as supostas fraudes estariam compras não pagas em estabelecimentos locais e a apresentação de comprovantes de transferência via Pix falsos. Durante a caminhada forçada, elas admitiram publicamente a culpa e prometeram nunca mais repetir a prática criminosa, em um ato de humilhação que visava servir de exemplo para a comunidade.

O episódio provocou forte repercussão online: parte dos internautas elogiaram a ação como forma de justiça imediata e dissuasão de criminosos, enquanto outros criticaram a humilhação pública e a ausência de julgamento legal. Especialistas ouvidos em fóruns de discussão alertaram para riscos à dignidade e à violação de direitos humanos quando grupos armados substituem as instituições oficiais em procedimentos punitivos.

Em nota, a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro informou que a 75ª Delegacia de Polícia, em Rio do Ouro, está conduzindo as investigações. O caso foi registrado como inquérito policial, e agentes realizam diligências para identificar todos os envolvidos e reunir provas. Delegados planejam ouvir testemunhas, incluindo moradores que filmaram a cena, e analisar imagens de câmeras de segurança próximas ao local. Além disso, buscas por registros de Pix e depoimentos de comerciantes denunciantes também fazem parte das apurações. Até o momento, não houve prisões relacionadas a este episódio.