Já imaginou ficar à deriva por 438 dias e depois ser processado em US$ 1 milhão? Foi exatamente isso que aconteceu com José Salvador Alvarenga, um pescador que pretendia fazer uma viagem de pesca rápida com o colega Ezequiel Córdoba.
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Em 2012, os dois saíram da costa de El Salvador para uma jornada de dois dias, mas acabaram surpreendidos por uma forte tempestade que durou cerca de uma semana. O fenômeno os afastou em direção ao Oceano Pacífico, apesar de estarem inicialmente a poucos quilômetros da costa. Durante o episódio, o motor da embarcação falhou, deixando-os completamente à deriva.
Sem possibilidade de retorno ou comunicação, os pescadores passaram a sobreviver com o que encontravam no mar, consumindo peixes, tartarugas e aves. Após cerca de 10 semanas, Ezequiel Córdoba adoeceu e morreu a bordo, deixando Alvarenga sozinho no barco.
A partir daí, o pescador permaneceu à deriva por um total de 438 dias. Ele relatou dificuldades extremas, incluindo episódios de alucinação e tentativas frustradas de sinalizar para embarcações que cruzavam a região. O resgate ocorreu quando o barco chegou próximo ao Atol de Ébano, uma pequena ilha a milhares de quilômetros do México. Alvarenga conseguiu alcançar a costa nadando e foi ajudado por moradores locais, que acionaram as autoridades.
Sua história foi posteriormente registrada no livro “438 Dias: Uma Extraordinária História Real de Sobrevivência no Mar”. Após a publicação, a família de Ezequiel Córdoba entrou com uma ação judicial de US$ 1 milhão contra Alvarenga, alegando canibalismo durante o período de sobrevivência.
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Alvarenga negou as acusações, afirmando que não houve esse tipo de prática e que havia um acordo entre os dois para não recorrer ao canibalismo. Seu advogado, Ricardo Cucalon, afirmou à imprensa que o processo poderia estar relacionado a disputas envolvendo os direitos autorais da obra. O caso ganhou repercussão internacional não apenas pela impressionante história de sobrevivência, mas também pela disputa judicial que se seguiu após o resgate.

