
Mão segurando controle remoto diante da TV (Foto: Instagram)
A edição britânica do reality show ‘Casamento à Primeira Vista’ foi cancelada abruptamente pelo Channel 4 em decorrência de graves acusações de estupro que teriam ocorrido durante as gravações. Vítimas relataram à BBC News terem sofrido atos sexuais sem consentimento. A decisão de interromper a produção aconteceu após a veiculação da matéria, que expôs afirmações contundentes sobre os incidentes. A emissora afirmou estar chocada com as revelações e compromissada em colaborar com as autoridades.
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Antes do cancelamento, ‘Casamento à Primeira Vista’ era um dos principais títulos da grade do Channel 4 e contava com dez temporadas produzidas pela empresa independente CPL. O formato, sucesso em diversos países, teve de imediato todas as suas exibições suspensas enquanto emissora e governo iniciam investigações sobre o caso. A CPL, responsável pela produção, também confirmou que está colaborando com o Channel 4 para esclarecer os fatos.
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Em abril, o Channel 4 promoveu uma revisão interna dos colaboradores envolvidos no reality, que inclui desde a equipe de produção até profissionais de suporte. Duas participantes confirmaram que foram estupradas no decorrer das filmagens e acusaram a produção de não oferecer o apoio necessário após os supostos ataques. Ambas contaram que chegaram a relatar os incidentes à equipe de psicólogos do programa, mas não receberam encaminhamento adequado.
No programa, especialistas unem casais que “se casam” ao se conhecerem pela primeira vez, monitorando seu relacionamento com acompanhamento psicológico e social. Além do Reino Unido, versões locais existem nos Estados Unidos, Portugal e Austrália, todas sob licença do formato original. O acompanhamento dos participantes inclui sessões regulares de terapia e avaliações do convívio do casal, antes e depois do “casamento”.
Alex Mahon, ex-presidente executiva do Channel 4 entre 2017 e 2025, confirmou em depoimento a um comitê parlamentar que a emissora abriu uma investigação formal e classificou as denúncias como “muito sérias e preocupantes”. Em nota oficial, ela sublinhou que todos os responsáveis pela produção serão submetidos a entrevistas e que qualquer indicativo de falha ética não será tolerado.
Em comunicado, o canal informou ter recebido acusações graves em abril contra um número limitado de funcionários, os quais negaram qualquer conduta imprópria ou criminosa. O comunicado destacou ainda que serão revisadas as políticas internas de segurança e de apoio às vítimas, reforçando o compromisso do canal com a integridade de seus colaboradores e participantes.
Durante sua apresentação ao comitê de parlamentares, Alex Mahon ressaltou que, apesar do impacto negativo sobre a imagem do programa, era crucial manter cautela e rigor nas investigações. Ao todo, o programa já havia produzido 10 temporadas desde sua estreia e se consolidado como um dos conteúdos mais assistidos na plataforma de streaming do canal em 2024.
O Ministério da Cultura, Mídia e Esporte do Reino Unido assegurou que acompanhará o processo investigativo com total cooperação das partes envolvidas. “Todos os que trabalham e participam da televisão devem ser tratados com dignidade e respeito em todos os momentos”, declarou um porta-voz do governo britânico. A pasta informou que poderá contar com o apoio de órgãos independentes especializados em casos de violência sexual para garantir a transparência do processo.







