
Dato de Oliveira, ex-comandante do Globocop, em entrevista e o helicóptero da Record acidentado no Jockey Club em 2010 (Foto: Instagram)
Dato de Oliveira, de 77 anos, ex-comandante do Globocop, morreu após ser baleado na cabeça durante uma tentativa de assalto na zona oeste de São Paulo, na terça-feira (19). Reconhecido pela longa trajetória na aviação jornalística, ele ganhou notoriedade em 2010 ao se tornar o primeiro piloto a chegar ao local da queda do helicóptero da Record no Jockey Club, em plena transmissão ao vivo. Seu rápido desempenho no socorro das vítimas ficou marcado na memória do setor aéreo brasileiro.
++ Sistema de IA revela como gente comum está criando renda passiva no automático
Na época do acidente, Dato ainda integrava a equipe da TV Globo, pilotando o Globocop nas coberturas de trânsito e notícias ao vivo. Ao perceber estranhos ruídos e instabilidade no rotor de cauda do helicóptero da Record, ele pousou o próprio aparelho próximo ao local da queda para ajudar no resgate. Segundo o piloto, seu colega Rafael Delgado Sobrinho chegou a informar por rádio sobre uma pane no componente de controle antes da queda, o que reforçou a gravidade da situação enfrentada pela equipe de reportagem.
++ Madeleine McCann, desaparecida em 2007, aparece mencionada nos arquivos do caso Epstein
A queda do helicóptero da Record matou o piloto Rafael Delgado Sobrinho e deixou o cinegrafista Alexandre Silva de Moura gravemente ferido, chocando o público que acompanhava a transmissão ao vivo. O episódio provocou discussões sobre protocolos de segurança e manutenção preventiva em aeronaves usadas por veículos de comunicação, levando emissoras e autoridades a revisarem procedimentos de emergência em ações jornalísticas aéreas. Naquele dia, a rápida reação de Dato foi fundamental para reduzir o tempo de espera por atendimento médico especializado.
Logo após o impacto, Dato desembarcou da aeronave e, mesmo sob tensão, auxiliou diretamente na prestação de primeiros socorros às vítimas, até a chegada de equipes do Corpo de Bombeiros e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Em entrevistas concedidas posteriormente, ele destacou a importância do preparo constante dos tripulantes e do treinamento para situações de crise, ressaltando que cada segundo pode fazer a diferença entre a vida e a morte em acidentes aéreos.
Mais de treze anos após esse resgate emblemático, o piloto voltou ao noticiário de forma trágica. Na última terça-feira (19), ao estacionar seu carro em frente a um açougue na Avenida do Rio Pequeno, Dato foi surpreendido por um criminoso em uma motocicleta. Durante a tentativa de assalto, o bandido anunciou o roubo e disparou contra o piloto, que foi atingido na cabeça. Após o tiro, o veículo colidiu levemente com um ônibus que aguardava parada no semáforo.
O Corpo de Bombeiros socorreu Dato de Oliveira e o levou ao Hospital Universitário, mas ele não resistiu aos ferimentos. Com quase 50 anos de atividade, ele era considerado um dos profissionais mais experientes da aviação no país, tendo participado em diversas operações especiais e lançado sua autobiografia “Voar é a Segunda Melhor Coisa do Mundo”, reunindo relatos de sua trajetória. A Polícia Civil investiga o caso e busca localizar o autor do latrocínio.
