
Presidente e ex-ministro conversam no Planalto durante anúncio sobre a revogação da taxa de importação (Foto: Instagram)
A revogação da “taxa das blusinhas” pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi determinada após intensa pressão política, desgaste na opinião pública e preocupações eleitorais. Integrantes do Palácio do Planalto ouvidos pela CNN apontam ainda que a saída do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, criador da medida, teve peso decisivo, reforçando o argumento de que manter o imposto poderia comprometer o apoio popular.
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Instituída em 2023 sob coordenação de Haddad, a norma previa tributação de 20% em compras internacionais de até US$ 50 em plataformas estrangeiras, chegando a até 60% para valores superiores. A alíquota, segundo o ex-ministro, visava corrigir distorções de concorrência com produtos importados, sobretudo chineses, mas logo passou a ser alvo de críticas e foi apelidada de “taxa das blusinhas”.
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Na avaliação interna, a impopularidade do tributo refletiu-se em protestos de consumidores e críticas de setores de comércio eletrônico, que temiam queda nas vendas. O Planalto considerou que o desgaste se acentuou com o uso do termo “taxa das blusinhas”, que se tornou sinônimo de medidas consideradas onerosas ao bolso do cidadão.
Com as eleições de 2026 se aproximando, aliados de Lula entenderam que manter a cobrança poderia enfraquecer sua imagem diante do eleitorado e abrir espaço para a oposição explorar o tema. Nos bastidores, houve receio de que o custo político superasse eventuais ganhos de arrecadação.
A revogação foi conduzida após intensa articulação entre a ala política do governo e o PT, que buscava conter uma sequência de derrotas, como a rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF e a derrubada do veto presidencial sobre dosimetria de penas, decisão que beneficiou o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Apesar de relatos sobre atrito interno, o Ministério da Fazenda negou conflito e afirmou que o ministro Dario Durigan participou diretamente da redação da medida provisória ao lado de Lula. A equipe destacou que a principal preocupação era preservar o programa Remessa Conforme, criado pela Receita Federal para ampliar o controle sobre encomendas internacionais, reduzir fraudes e antecipar a arrecadação de impostos.
O vice-presidente Geraldo Alckmin e setores da indústria têxtil defendiam a manutenção da taxa para proteger o mercado interno, citando aumento de contratações após a implementação do imposto. Contudo, com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e parlamentares do PL articulando urgência para derrubar a cobrança no Congresso, o governo optou por revogá-la antes de sofrer derrota legislativa.
