
MC Ryan SP posa ao lado de uma Ferrari vermelha em posto de combustível, alvo de apurações da PF (Foto: Instagram)
A Polícia Federal identificou nesta quarta-feira (15) um esquema de remessa de dinheiro ao exterior que envolve o funkeiro MC Ryan SP e um contador apontado como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo o inquérito, esse profissional organizava uma série de operações financeiras para ocultar a origem dos recursos e viabilizar transferências internacionais sem levantar suspeitas. A apuração preliminar sugere que o montante deslocado por meio desse mecanismo pode ser expressivo, apontando para uma estrutura sofisticada de lavagem de dinheiro associada ao artista.
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De acordo com os investigadores, o modelo de atuação incluía fracionamento de valores em pequenas transações, uso de intermediários e criação de empresas de fachada com objetivos exclusivos de dissimular o verdadeiro beneficiário dos aportes. Essas estratégias, classificadas pela PF como proteção patrimonial, permitiam ao contador movimentar recursos entre diversas contas bancárias e restruturar o patrimônio dos envolvidos de modo a dificultar bloqueios e apreensões. A análise das planilhas e extratos apreendidos indica sequências de entradas e saídas milimetricamente calculadas para escapar do radar das autoridades.
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Esse procedimento faz parte da Operação Narco Fluxo, que apura uma rede de movimentação financeira estimada em mais de R$ 1,6 bilhão. A PF sustenta que o grupo mantinha conexões com diferentes setores, inclusive o entretenimento, empregando estruturas complexas para ocultar o dinheiro líquido. Na deflagração da operação, foram presos MC Ryan SP, MC Poze do Rodo, Chrys Dias e Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, além de outros suspeitos. Investigadores do jornal Estadão apontam que parte dos valores acabou remetida para contas no exterior, reforçando a dimensão internacional da fraude.
Até o momento, o contador apontado como operador financeiro não manifestou defesa oficialmente, enquanto a assessoria jurídica de MC Ryan SP afirma não ter tido acesso completo aos autos, que correm sob sigilo. Em nota, os advogados do artista declararam que só emitirão parecer após exame detalhado de toda a documentação reunida pela Polícia Federal, o que pode levar algumas semanas devido à complexidade do caso e à quantidade de provas digitais a serem analisadas.
A Operação Narco Fluxo permanece em curso e não está descartada a possibilidade de novas fases. Entre os próximos passos, a Polícia Federal planeja aprofundar as quebras de sigilo bancário e fiscal de outros envolvidos, além de solicitar cooperação internacional para rastrear remessas ao exterior. Esses procedimentos serão fundamentais para identificar eventuais destinatários finais dos recursos e desmantelar integralmente a rede de lavagem de dinheiro.
