
Presidente Donald Trump em pronunciamento na Casa Branca. (Foto: Instagram)
O clima diplomático entre os Estados Unidos e a Espanha mudou radicalmente após declarações do presidente Donald Trump na Casa Branca, em que ele até orientou o secretário do Tesouro, Scott Bessent, a interromper as relações comerciais com Madrid, e fez menções ao primeiro-ministro Pedro Sánchez, ao ministro José Manuel Albares e à ministra da Defesa, Margarita Robles, além de críticas ao Reino Unido e comparação com Winston Churchill.
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Trump afirmou que essa tensão teve início quando pediu que as nações europeias elevassem seus gastos em defesa para 5 por cento do PIB. Ele disse que vários países, como a Alemanha, atenderam à solicitação com entusiasmo, mas que “a Espanha foi terrível” por não cumprir a meta. Segundo Trump, “todos os países europeus pagaram 5 por cento como deveriam, e a Espanha não fez isso”.
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Em tom duro, Trump explicou que havia instruído Scott Bessent a “cortar todas as relações com a Espanha” e ressaltou que o governo espanhol comunicou que “não podemos usar as bases deles” em operações no Oriente Médio. O presidente frisou que os Estados Unidos, de fato, “podem usar a base se quisermos, podemos simplesmente voar e usar. Ninguém vai nos dizer que não podemos usar”.
Em seguida, Trump teceu críticas à liderança madrilenha, afirmando que a Espanha “não tem absolutamente nada de que precisamos, além de pessoas incríveis. Eles têm pessoas incríveis. Mas não têm uma grande liderança”. O comentário reforça a insatisfação de Washington com a recusa de Madri em apoiar as ações militares norte-americanas na região.
A recusa da Espanha em cooperar ocorreu depois que o primeiro-ministro Pedro Sánchez classificou a ofensiva contra o Irã como ação militar unilateral, alertando que tal iniciativa contribuiria para uma ordem internacional mais hostil e incerta. Em resposta, o ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, concedeu entrevista à Telecinco e deixou claro: “Quero ser muito claro e direto. As bases não estão sendo usadas e não serão usadas para nada que não esteja previsto no acordo, nem para nada que não esteja amparado pela Carta das Nações Unidas”.
A ministra da Defesa, Margarita Robles, também confirmou o posicionamento oficial, recordando que existe um acordo bilateral sobre o uso das bases militares espanholas, mas enfatizando que “qualquer operação precisa respeitar os marcos legais internacionais e contar com respaldo jurídico adequado”. Para Robles, o pacto com os Estados Unidos só autoriza ações amparadas por legislação internacional e apoio internacional.
No mesmo dia, Trump estendeu suas críticas ao Reino Unido, que inicialmente havia recusado o uso de suas bases para os ataques. Ao mencionar o acordo envolvendo as Ilhas Chagos, o presidente reclamou que o processo diplomático atrasou a logística: “Aquela ilha sobre a qual vocês leram, o arrendamento, por algum motivo ele fez um arrendamento da ilha e alguém veio e tirou isso dele. Levou três ou quatro dias para resolvermos onde poderíamos pousar. Teria sido muito mais conveniente pousar lá, em vez de voar muitas horas extras.”
Por fim, Trump comparou a condução atual da liderança britânica a uma época histórica, ao afirmar: “Estamos muito surpresos. Não estamos lidando com Winston Churchill.” As declarações elevaram ainda mais a tensão entre aliados tradicionais em um momento de instabilidade global, enquanto Washington sinaliza possíveis retaliações comerciais e Madri reitera que qualquer ação militar deve obedecer aos acordos firmados e ao direito internacional vigente.
