
Há trinta anos, na noite de 2 de março de 1996, o relógio da música brasileira parou às 23h16 quando o Learjet 25D que levava Dinho e os outros quatro integrantes dos Mamonas Assassinas se chocou contra a Serra da Cantareira, no trajeto de retorno ao Aeroporto de Guarulhos. Em menos de um ano, o quinteto havia revolucionado o mercado nacional com irreverência e humor, deixando um legado que resiste ao tempo.
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Nos primeiros anos, o grupo gravou como “Utopia”, explorando rock progressivo, mas só atingiu o auge em 1995 ao adotar letras bem-humoradas e mesclar estilos como vira, forró, heavy metal e música mexicana. O único álbum dos Mamonas Assassinas ultrapassou 3 milhões de unidades vendidas em poucos meses, impulsionado por apresentações explosivas na TV e turnês esgotadas.
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O grupo era formado por:
Dinho (24 anos), vocalista nascido na Bahia e criado em Guarulhos, tornou-se frontman após um improviso que o destacou pelo carisma e pelas danças irreverentes;
Bento Hinoto (25 anos), guitarrista fã de Rush e Titãs, autor de solos marcantes como o de “Débil Metal”, que deixou a graduação em Física para se dedicar à música;
Sérgio Reoli (26 anos), fundador ao lado de Bento, baterista engraçado e fonte de piadas, que junto ao irmão Samuel ajudou a moldar o som da banda;
Júlio Rasec (28 anos), tecladista e ex-roadie, amigo de Dinho, coautor de composições;
Samuel Reoli (22 anos), baixista e irmão mais novo de Sérgio, inicialmente desenhista, que sugeriu o nome “Mamonas Assassinas do Espaço”.
A última apresentação ocorreu em Brasília, no Estádio Mané Garrincha, diante de 4 mil pessoas, marcando o fim da turnê e o início de férias tão aguardadas. No voo de retorno, relatórios da Aeronáutica e do CENIPA apontaram que o piloto, exausto após jornada iniciada no dia anterior, errou a manobra de arremetida: curvou à esquerda quando a rampa de Guarulhos exigia giro à direita, em condições de baixa visibilidade.
O enterro em Guarulhos reuniu milhares de fãs, parou o trânsito local e registrou desmaios e comoção em transmissões ao vivo. Trinta anos depois, as famílias decidiram exumar os corpos para transformar parte das cinzas em adubo e plantar cinco árvores no recém-inaugurado Jardim BioParque Memorial Mamonas, unindo sustentabilidade e memória afetiva para que a alegria do grupo continue florescendo.







