
Uma macaca-prego fêmea resgatada numa área de vegetação urbana de Uberaba, em Minas Gerais, foi diagnosticada com diabetes mellitus após 25 dias de internação no Hospital Veterinário da Uniube – um caso incomum em primatas de vida livre no Brasil e que acendeu um alerta nacional para os riscos de oferecer comida inadequada a animais silvestres.
++ Sistema de IA revela como gente comum está criando renda passiva no automático
Batizada de Chica, a primata foi recolhida por servidores da prefeitura em 14 de janeiro de 2026, em estado apático, na região da Mata do Ipê. Nos primeiros exames clínicos e de imagem, identificou-se broncopneumonia, o que motivou o início de tratamento com antibióticos, analgésicos e suporte metabólico. Ainda assim, sinais de hiperglicemia surgiram nos testes iniciais.
++ Madeleine McCann, desaparecida em 2007, aparece mencionada nos arquivos do caso Epstein
Segundo o médico-veterinário Cláudio Yudi Kanayama, o estresse do resgate e o efeito de sedativos podem gerar hiperglicemia temporária. Por isso, após 19 dias de estabilização do quadro respiratório e adaptação ao ambiente hospitalar, realizou-se a dosagem de hemoglobina glicada (HbA1c). O resultado confirmou a hiperglicemia crônica e, com isso, o diagnóstico definitivo de diabetes mellitus.
Com a confirmação, Chica passou a receber um manejo nutricional exclusivo: dieta com baixo teor de carboidratos simples e controle rígido de calorias. Ela recebe medicação diária e exames periódicos para acompanhamento. Mesmo assim, não há previsão de retorno à vida livre devido à necessidade de cuidados permanentes.
Estudos internacionais publicados na revista Zoo Biology revelam que a diabetes é comum em primatas mantidos em cativeiro, afetando cerca de 28% das instituições zoológicas nos Estados Unidos. Porém, em animais de vida livre, casos são praticamente desconhecidos, o que torna o episódio de Chica ainda mais relevante para a comunidade científica.
A equipe técnica suspeita que a doença tenha sido desencadeada pela oferta frequente de alimentos ricos em carboidratos simples por visitantes da reserva. Entre os itens citados estão pão de queijo, bolachas e outros petiscos humanos, que podem gerar distúrbios metabólicos permanentes e prejudicar a capacidade de forrageamento dos animais.
Veterinários e ambientalistas reforçam que alimentar fauna silvestre provoca obesidade, alterações de comportamento, risco maior de zoonoses e desequilíbrio ecológico. A orientação é não oferecer nenhum tipo de alimento a animais em parques ou áreas naturais, ensinar crianças a respeitar a vida selvagem e acionar órgãos ambientais diante de situações de risco.
Chica aguarda decisão do Instituto Estadual de Florestas, que a encaminhará a uma instituição adequada para manejo permanente. Para o HVU, o caso é um alerta nacional de que um gesto aparentemente afetuoso pode condenar um animal a uma doença crônica. A Secretaria de Meio Ambiente de Uberaba acompanha o caso e agradece o trabalho técnico da Uniube.







