Investigação conclui as causas da tragédia que matou os Mamonas Assassinas

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Tragédia dos Mamonas completa 30 anos com relatório do Cenipa apontando falhas humanas e operacionais (Foto: Instagram)

Na segunda-feira, 2 de março de 2026, completaram-se 30 anos do acidente que vitimou todos os integrantes dos Mamonas Assassinas. O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) aponta que uma série de fatores humanos e operacionais culminou na queda do avião na Serra da Cantareira, na Zona Norte de São Paulo.

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Naquela noite de 2 de março de 1996, o Learjet LR-25D da Madri Táxi Aéreo cumpriu cerca de 17 horas de voo, ultrapassando em seis horas o limite estabelecido pela Lei do Aeronauta da época. Segundo o Cenipa, o comandante relatou exaustão antes da decolagem final, pois a tripulação ficou longos períodos de prontidão sem infraestrutura adequada para descanso, em rotas que passaram por Piracicaba, Guarulhos e Brasília.

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Durante a aproximação noturna sob céu encoberto, a aeronave não conseguiu estabilizar-se para o pouso. Ao optar pela arremetida, o comandante abandonou o procedimento por instrumentos e iniciou uma curva à esquerda, embora a Torre de Guarulhos tivesse orientado manobra para a direita. Voando em alta velocidade em direção ao norte, o avião chocou-se contra a Serra da Cantareira às 23h16, abrindo uma clareira de cerca de 400 metros na mata.

O documento também destacou deficiências no preparo da tripulação: o comandante acumulava aproximadamente 220 horas de voo no modelo Learjet, enquanto o copiloto tinha apenas 57 horas e ainda estava em fase de instrução. Nenhum dos pilotos havia recebido treinamento formal em Gerenciamento de Recursos de Cabine (CRM), e a Madri Táxi Aéreo não possuía programa de capacitação aprovado pelo Departamento de Aviação Civil (DAC).

Entre outros aspectos analisados, o Cenipa mencionou a possível presença de terceiro passageiro na cabine durante momento crítico do voo e a pressão operacional gerada pela relevância financeira do grupo para a empresa. Sem caixa-preta, as conclusões basearam-se em dados de radar, comunicações com a Torre, laudos periciais e depoimentos de envolvidos.

Além dos músicos Dinho, Bento Hinoto, Júlio Rasec, Sérgio e Samuel Reoli, faleceram no local o ajudante de palco, o segurança e os dois pilotos. Três décadas depois, o episódio permanece como uma das maiores tragédias da aviação brasileira e um marco na memória cultural do país.